domingo, fevereiro 04, 2018

volta às aulas

Imagem de books, library, and peace

Você já foi pra aula pensando em uma aula que você queria muito ter?

Você já esteve em uma aula e pensou "meu Deus, esse assunto é ótimo, eu adoro aprender sobre isso"?

Você já teve sede em aprender alguma coisa? Ou já pesquisou um assunto à fundo por pura curiosidade?

Desculpe-me, eu acho que fui direto ao ponto, mas era exatamente o que eu queria. Esse post é uma crítica - coisa que faz muito, muito tempo que eu não faço. Eu não sou adepta à críticas, porque para criticar você precisa de alguém que leia o que você tem à dizer, e ninguém se importa comigo ou a porra do meu blog. Mas quer saber de uma coisa? Eu nunca me importei muito com quem estava lendo ou não os meus blogs, os meus tweets, os meus textos ou os meus poemas. Se ninguém me escutasse eu continuaria falando. Eu prefiro continuar tendo voz, mesmo que seja uma que ninguém ouve. E é por isso que eu estou escrevendo isso.

...

Eu sei que você provavelmente odeia a escola. Acordar cedo - ou ao menos acordar - para ir para um lugar onde você é obrigado a fazer coisas que não quer, escutar coisas que não importam e conviver com pessoas que não fazem diferença parece ser meio inútil. Não é isso que a escola era suposto a ser. Eu tenho certeza disso.

Você já parou pra pensar no quanto a gente se fode por causa da escola? Eu não vou entrar em assuntos que envolvam a convivência com seres humanos - o que já é algo difícil pra caralho - porque esse não é o foco. Eu estou falando da porra da pressão contida desde os primeiros anos. Tu é confinado por cinco horas - às vezes mais - em uma sala com trinta outras pessoas que não se interessam pelos assuntos que uma pessoa que estudou anos para dar aula sobre o assunto nem se importar se você está aprendendo ou não. A questão é essa: aprender.

Na moral, a maioria dos alunos hoje em dia passa o tempo da escola não se importando muito com o que os professores falam - até porque, na maioria das vezes, não importa. Você consegue ver alguém na sua sala olhando para o professor com olhos famintos, totalmente concentrado na explicação, realmente tentando entender o que ele diz ali na frente? Você acha que a falta disso acontecer é culpa do aluno ou do professor?

Tudo começa pela educação. Primeiramente, what the fuck? Eu nunca entendi o porquê de ter que aprender logaritmos - quem foi que inventou que isso vai acrescentar algo na minha vida? E quanto às inúmeras fórmulas físicas que nós tínhamos que decorar pra uma prova, qual você esqueceria o assunto todo ao sair da sala dizendo "acho que zerei"? Por que caralhos eu tenho que decorar a porra de uma Tabela Periódica?

Não me entenda mal, eu ainda acredito que todo conhecimento é importante. Eu sei que isso vai servir muito na vida de um matemático, um pesquisador, um químico, um engenheiro, talvez. Mas porra, eu tinha dezessete anos e tinha náuseas ao ver a minha prova de Química. NINGUÉM como dezessete anos precisa desse tipo de conhecimento. Ele é muito útil, sim, se tu fazer uma faculdade. Mas quer saber? Foda-se Química. Foda-se a escola. Foda-se essa porra que vocês consideram importante pra um adolescente que nem sabe quem é saber as utilidades dos gases nobres.

Você já teve uma aula de Economia? Ou uma que falasse sobre a realidade da politicagem no Brasil? Você já teve uma aula sobre atualidades? Sobre problemas nacionais? Me fala, por favor, você já teve a porra de uma aula no Ensino Médio em que seu professor não falava simplesmente que o assunto era importante porque caía no vestibular?

Segundo ponto: os professores. Quantos professores você acha que estão realmente se importando se você aprende ou não? Quantas vezes você provavelmente ouviu que "não importa se vocês não entenderam, o professor está ganhando do mesmo jeito"? Eu não posso dizer que os professores são a culpa da educação do Brasil estar quebrada. Sinceramente, nunca achei isso. Mas você já teve a impressão de que um professor seu queria foder com a sua vida? Você já teve a impressão de que ele tinha um desgosto maior por você, ou pior, que ele tinha um aluno preferido? Eu não sei se isso faz sentido fora da minha cabeça, mas na minha cabeça isso é errado. Professores se formam sem saber ensinar os alunos a quererem aprender, e soltam que o conhecimento é importante para se passar em um vestibular, e que depois disso o conhecimento simplesmente não importa. Quê?

As pessoas falam muito que pra tu ser um médico, tu precisa ter muito amor ao que faz, você tem que ser gentil, ter a noção de que está mexendo com vidas, tu tem que ser bom. Ninguém nunca se importou muito com o que você precisa ter pra ser um professor, e as pessoas realmente não enxergam a importância dessa profissão. É algo tão nobre quanto ser mãe - você está educando, mas não com modos e princípios, você está educando com conhecimento. E espalhar conhecimento devia ser algo feito com amor. E quantas vezes você não ouviu dos seus colegas de classe que aquele professor provavelmente "não tinha transado na noite anterior", e por isso estava aquele saco? Pois é. 

O que você precisa ter pra ser um professor? Acho que não é de conhecimento de todo mundo aqui, mas eu quero ser professora. E eu tenho a noção de que é um trabalho difícil, que eu vou ser mal paga, que eu vou ser desrespeitada, que não vão me valorizar devidamente, que muitas vezes vou trabalhar mais do que é comum para corrigir redações e provas e trabalhos, e que eu provavelmente não vou ser reconhecida por isso. Eu sei de tudo isso.

Acho que saber disso é o primeiro passo, primeiro requisito ao cogitar a ideia de se tornar professor. Você também tem que, principalmente, amar tanto o conhecimento que quer - quer não, precisa - passar esse conhecimento para todo mundo. Você tem que querer aprender para ensinar. Você tem que querer ensinar, e querer fazer com que aprendam. 

Você tem que, além de tudo, ensinar a gostar de aprender. De que jeito um professor te instiga a querer saber sobre o que ele te ensina? Você não vê muito isso, não é? A maioria dos professores que já me deram aula não me faziam querer aprender. Eles só me faziam querer terminar logo o Ensino Médio, e esquecer que aulas existiam. E isso não está certo. Não é suposto pra você odiar ter que aprender algo. Aliás, não é suposto pra ti ser obrigado a aprender algo. Tu tem que gostar de aprender. Tu tem que aprender algo que tu gosta. E isso nos leva ao terceiro ponto.

Os alunos. Você, provavelmente, que está lendo isso. Um adolescente comum, que vai à escola e simplesmente não vê motivo para aprender todas aquelas baboseiras que te enchem o ouvido por uma boa parte do dia. É chato pra você, não é?

Eu sei que pra você é mais fácil passar o dia deitado na cama mexendo nas redes sociais e conversando com as pessoas - porque o relacionamento com seres humanos é importante. Deve ser chato você passar o dia na escola ao lado de pessoas chatas, esperando pelo momento que você vai finalmente voltar pra casa e conversar com quem importa. Mas, me diz, quando foi a última vez que você pesquisou algo de interessante na internet para aprender, só por pura coincidência? Quantas vezes você trocou a sua série - que provavelmente também tem coisas a ensinar - por um vídeo de fatos desconhecidos, por exemplo, sobre como chicletes são feitos? Você acha isso um conhecimento inútil? Mas eu tenho a certeza de que é algo muito interessante para alguém.

Quantas vezes você olhou para o céu e questionou a existência de tudo no universo? Quantas vezes você se perguntou o propósito disso? Quantas vezes você simplesmente perguntou à uma pessoa coisas sobre ela sem ter nenhum interesse avulso? Quantas vezes você tentou realmente conhecer alguém? Eu não estou dizendo que se perguntar essas coisas são as coisas mais importantes do mundo, mas o importante mesmo é você parar e pensar. Pensar em algo. E então compartilhar isso com alguém. Compartilhar informações, discutir, ouvir opiniões. A vida realmente não é só feita do que dizem nas redes sociais nem de ter uma vida social interessante, ou das visualizações, ou dos likes, ou de qualquer coisa desse tipo. Desculpa, acho que desviei um pouco do assunto.

Eu entendo que você não queira aprender o que te ensinam na escola. Eu sei que provavelmente não te interessa a maioria do que te dizem lá. Mas você já parou em um assunto específico e pensou: "isso é legal de aprender"? Bem, eu já. E isso é realmente importante.

Uma vez eu estava aprendendo sobre figuras de linguagem. Sim, típica aula de gramática com palavras difíceis que você provavelmente não vai decorar. Metalinguagem, hipérbole, pleonasmo, catacrese, onomatopeia. Mas eu olhei para aquilo e só consegui sentir amor pelo Português. Sei lá, as aulas desse tipo eram incríveis. E infelizmente eu não tive quase nenhuma aula de gramática no Ensino Médio. Eu fui surrada por Literatura - vi muitas pessoas que não gostavam de ler ter que ler um livro considerado chato para fazer uma prova de livro -, sem contar algumas aulas que falavam sobre a Redação do Enem. É, sim, eu estava aprendendo a escrever para um Vestibular ao invés de aprender a escrever por mim. E isso colocou na minha cabeça que eu tinha que ensinar à alguém que a vida é bem mais que tirar um vestibular. Até porque depois do vestibular você vai ter que aprender mais. E depois disso você vai ter que aprender a viver como um adulto. E vai por mim, ninguém vai te ensinar isso. E vai ser mais difícil do que você imagina.

Eu realmente estou cansada disso tudo. Eu realmente quero fazer alguma diferença no mundo. Eu quero que as pessoas pensem. Eu quero que elas critiquem. Eu quero que elas queiram aprender algo. Quero que elas procurem aprender algo. Eu nem lembro quem disse isso, mas eu quero "apenas que busquem conhecimento". Nem que seja o mais idiota deles. Eu espero que a escola um dia faça sentido ao ponto de você sair de lá uma pessoa melhor, mais decidida e com mais certeza do que a vida é. Eu quero que volte a querer aprender assim como uma criança.

Porque no fundo eu sei que você ainda é aquela criança que se orgulhava toda vez que saía na rua e conseguia ler uma placa.

All the love,
Nadine W.

Fonte: Wikipedia

sexta-feira, dezembro 22, 2017

você só pensa nisso

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(...)

No meio da tarde, nos esgueirando por meio de lugares escuros e sujos. As mãos dadas, eu sempre ia na frente e continuava olhando para trás. Precisava saber se ele continuava lá, mesmo sentindo a mão quente apertando a minha.

Procurávamos paz, silêncio, vazio. Ninguém podia ver, mas também não podíamos estar em um lugar longe demais das pessoas. Era excitante ter pessoas por perto; mas ainda assim estarmos sozinhos.

"Você só pensa nisso..." eu murmurei, sorrindo, quando encostamos em uma parede, num lugar perto dos banheiros. Eu o envolvi pelo pescoço e ele me beijou.

"E você não?"

Nós pegamos bebidas. Sentamos em um lugar qualquer, um de frente para o outro. Trocamos goles. Morango e limão. Meus ombros doíam, minha cabeça girava. Eu queria estar em um lugar em que ninguém pudesse nos ver, mas queria estar em um lugar onde pudessem se surpreender caso nos vissem. Eu queria um lugar quieto, escuro e escondido. Eu queria que fôssemos só. Nós. Dois. Mas queria o perigo de saber que havia alguém por perto.

Subimos as escadas, chegamos na sacada. O dia ainda estava se pondo, eu podia ver a praia. Eu não me preocupei tanto com a vista, eu estava chapada. Ele me prensou na parede, me pegou no colo. Escreveu poesia com os lábios pelo meu corpo. O compasso das batidas do coração acelerava cada vez mais. Dava pra ouvir o mar, mas eu preferia o som dos suspiros.

Escureceu, não só porque meus olhos estavam fechados. Tão bêbada que não aguentei e caí. Fiquei sentada no chão, a cabeça quase pendurada pelo pescoço. Ele sentou do meu lado. Se fundiu em mim e me tocou; como as cordas da guitarra dele. Um dedilhado perfeito, ad libitum. Sem sol. Sem dó. Sem lá, só aqui.

Ele sussurrava coisas no meu ouvido, e eu ouvia ecos indo e voltando. Eu sorria e fechava os olhos, me concentrava em não morrer de prazer, proferindo sons quase nulos e tentando dizer coisas que não faziam sentido.

Eu não sabia se era só nisso que eu pensava, afinal, eu mal conseguia pensar. Eu sei que haviam pessoas na praia, pessoas lá dentro. Pessoas que podiam nos ver. Mas era exatamente isso que deixava tudo mais interessante. Ter medo mas continuar era excitante. Era adrenalina pura, mais do que pular de um prédio tendo medo de altura. Demorar era tortura, mas era bom também. Mas como tudo no mundo, acaba.

Apogeu, e então calmaria. Eu senti como se me batizassem com suor, e era quente. Ébria de álcool e clímax, suspiros pesados e sorrisos sacanas. Nos olhávamos como se estivéssemos prestes a dar um primeiro beijo, e era tão novo quanto.

Felizmente eu vi estrelas. Não só as do céu da cidade. Encostou com a língua nas estrelas do céu da minha boca, a visão era turva e não tinha porquê não gritar, mas eu me mantive calada. Ele tinha estrelas nos olhos e eu não sei se era a bebida, reflexo de luzes ou coisa da minha cabeça. Eu só sei que mostrei constelações à ele e ele agiu como se eu fosse mais extraordinária que aquilo. Ele me olhou como no primeiro dia, e tudo que conseguia sentir era déjà vu. E eu sabia que, nos braços dele, eu não precisava de mais nada. E eu só conseguia pensar nisso.

Eu só pensava nele.

All the love,
Nadine W.

domingo, dezembro 17, 2017

o momento em que eu soube o que eu queria ser, outra vez

    

Eu sabia que tinha algo grande pra acontecer. Talvez eu só não soubesse o quê, talvez eu estivesse cega no momento. Mas quando coisas como essa acontecem, você simplesmente não para pra pensar enquanto está acontecendo. Você só se dá conta quando está fazendo seu caminho pra casa, observando as estrelas apoiada na janela do carro, sorrindo feito idiota; exatamente como eu fiz no dia oito de junho desse ano. Eu fiz isso hoje, e foi mais ou menos pelo mesmo motivo. 

Eu saí de casa arrumada. O destino? Um clube no qual eu faria um show no dia. Sim, Nadine Wegas fazendo um show outra vez. Mas a coisa é que eu não estava sozinha. Além dos meus amigos - a Luana e o Ian -, meu pai e minha irmã; eu tinha companhia de palco dessa vez. E adivinhem? Era ele mesmo, meu namorado, Cauê Cavalheiro (e sim, eu sei que estou escrevendo muito sobre ele por esses tempos, mas o que eu posso fazer se os dias mais legais acontecem quando ele está lá?).

Eu sentei na mesa do fundo no lugar que eu ia tocar. Observei o palco, uma banda estava fazendo passagem de som. Não éramos os únicos que iam tocar, tinha uma banda depois da gente. Meus amigos chegaram, e então o Cauê. Dei um oi pra mãe e a irmã dele e fomos andar pelo clube procurando por um lugar calmo para colocar alguns assuntos em dia. Não deu muito certo, acabamos encontrando com o pai dele e o vizinho deles, que é um velho meio confuso.

O amigo do Cauê, o Brozio, chegou todo suado com um skate na mão. Nós voltamos pro palco e depois saímos, novamente tentando achar um lugar calmo. Acabamos encontrando com mais dois amigos do Cauê, e depois mais dois e mais um que eu já conhecia, o Matheus (eu tive a impressão de que eles estavam saindo de todo lugar). Acabamos sem lugar calmo e sem resolver os assuntos. 

A SKIS - nossa dupla - usa roupas pretas e maquiagem. Eu já estava com maquiagem, então fui fazer no Cauê em uma sala do clube com brinquedos para crianças. Ele detesta quando eu faço a maquiagem, até porque não é a coisa mais confortável do mundo, mas foi até engraçado, contando que teve uma parte que eu borrei tudo de maquiagem preta, ele disse "posso passar a mão?" e eu disse "claro que não!" enquanto passava a mão tentando limpar a cagada que eu tinha feito.

Eu saí correndo pra pegar papel e limpar aquilo tudo, e voltei correndo. Sim, eu tropecei, como é de se esperar, mas ninguém viu, então tudo bem. Nós terminamos a maquiagem, saímos de novo procurando por um lugar calmo e encontramos, perto das escadas onde, em um dia aí, eu torci o pé. Nós nos beijamos até ver um cara na sacada tirando fotos nossas. Ok, na verdade ele só estava fumando, mas foi o que a gente achou na hora.

Nesse meio tempo a gente achou um bolo com notas de 50 reais e eu fiquei meio "puta que pariu é muito dinheiro", mas o Cauê disse pra gente deixar na mesa do lado, dizendo que podia ser um teste de honestidade, então eu, muito triste, coloquei lá. 

Subimos no palco e eu estava meio nervosa mesmo depois de ter passado o som, e antes de começarmos a tocar eu fui até o Cauê e dei um beijo de boa sorte nele - o que ele achou fofo, como ele me contou depois. Então eu disse algumas palavras e o show começou.

Eu conseguia ver as pessoas, só que ao mesmo tempo eu não conseguia ver nada. Não sei se isso acontece sempre, mas foi algo parecido com o que aconteceu da primeira vez que eu fiz um show, há um ano atrás, com a Utopus. A diferença é que se eu olhasse para o lado eu ia poder ver o amor da minha vida vestido todo de preto, tocando violão e com o cabelo cobrindo a cara, do mesmo jeito que eu o vi da primeira vez, no mesmo palco, no mesmo lugar. O destino é muito, muito genial, você não acha?

Durante a performance eu ouvi palmas, via minha irmã gravando e tirando fotos - inclusive as do começo do post -, a Luana também fazia isso, e as pessoas olhavam ou conversavam em suas mesas. Uma criancinha fofa chegou perto do palco dançando no meio disso, e Luana disse que ele era meu "primeiro fã". O momento foi incrível, combinado com as luzes coloridas e o sentimento de estar em um palco, em pé, com uma garrafa que brilhava na luz negra, a folha com a lista de músicas que tocaríamos, mas principalmente um serzinho maravilhoso me dando dicas do que falar entre as músicas. 

Quando o show acabou eu pensei que as pessoas não tinham gostado muito, mas mudei de ideia quando recebi calorosos "parabéns" dos pais e irmã do Cauê, da banda que ia tocar depois de nós, meu pai, meus amigos - Luana me deu um abraço fofo - e minha irmã. Logo quando saímos do palco eles vieram para tirar fotos com a gente. Tiramos foto até não aguentarmos mais, e combinamos com a banda que faríamos um "feat" tocando Should I Stay Or Should I Go (já percebeu que essa música aparece aqui o tempo todo?). 

Fomos falar com o Danilo, o cara que arranja bandas pra tocar no clube, sobre termos comida grátis. Ele nos deu lanche e Coca-Cola, e meu pai disse pra comermos no restaurante, enquanto ele, os pais e irmã do Cauê, uma amiga em comum, Alice, Ian e Luana compartilhávamos a mesma mesma - meu Deus, em que pensamentos mais bizarros eu conseguiria pensar que algo desse tipo ia acontecer?

Nós comemos o lanche enquanto a pizza chegava. Foi provavelmente o melhor x-salada da minha vida. Cauê e Luana falaram sobre Naruto enquanto Alice e Ian viravam melhores amigos. Depois de comer, eu e ele andamos e subimos até o mesmo lugar do dia em que eu torci meu pé, e bem, a gente colocou os assuntos em dia.

Depois disso eu fui tirar a maquiagem do Cauê, e o Danilo chegou dizendo "não chora campeão, vai dar tudo certo" e sentou na mesa, depois falou sobre abrirmos show para um cara famoso que vai tocar no clube em janeiro. Acabamos fazendo mesmo o feat com Should I Stay. Não ficou muito bom, mas pelo menos foi legal e a gente teve a experiência de tocar com uma banda - aliás, uma banda com caras bem legais.

Conversamos com eles depois disso, e eles nos elogiaram pelo show. Fiquei sabendo de vários elogios sobre o nosso show, principalmente o de um professor de música que disse que minha música autoral era boa. 

No final eu fui embora. Acabamos indo para o centro com o Ian. Ele me pagou milk-shake de morango - era muito bom - e andamos por lá até ficarmos cansados.

Eu gosto dos finais de noite como essa, quando eu estou voltando pra casa de carro e tenho a companhia das estrelas e das memórias de um dia incrível. Às vezes você não tem noção do quanto as coisas são maravilhosas enquanto elas acontecem porque você está desnorteado e maravilhado demais; e às vezes a sua insegurança não permite você ter a noção de que é bom o suficiente pra fazer aquilo. Mas eu e Cauê éramos, e nós fizemos. E no fim de tudo eu só conseguia pensar no quanto eu tenho vontade de fazer aquilo pela minha vida toda. A emoção dos palcos, os instrumentos, o fato de eu não poder pisar nos cabos, as luzes, as pessoas, todo mundo ouvindo... É, parece que aquele sentimento de saber o que eu quero da vida realmente floresceu de novo que nem naquele dia, só que maior e melhor. E ah, com uma diferença.

Eu não quero fazer isso sozinha.

All the love,
Nadine W.

quinta-feira, dezembro 14, 2017

a formatura que não era minha

 

Uma vez eu notei que os momentos que eu vivi na verdade pareciam muito mais interessantes enquanto eles aconteciam, e que com o tempo eles vão se tornando comuns, dando lugar à outros momentos mais especiais, mais importantes ou só mais divertidos mesmo. Mas ontem eu vivi momentos que não vão se desgastar com o tempo, porque foram a maior história de livro dentro da vida real. E mais uma vez, senhoras e senhores, contamos com a ajuda do meu namorado, senhor Cauê Cavalheiro, para tornar um dia de festa em um dia perfeito.

As coisas começam pelo começo, quando Nadine Wegas - também conhecida como eu - está no banco de trás do carro de sua mãe indo para a formatura de sua irmã, ansiosamente esperando para rever o amor de sua vida. Ok, cansei de falar de mim na terceira pessoa. Meio difícil.

Quando eu cheguei lá ele estava sentado num banco que ficava de frente pra praia, em uma camisa social do pai dele, os All Stars pretos, o cabelo bagunçado ficando mais bagunçado ainda por causa do vento e aquela carinha que eu adoro. Eu sentei no colo dele e ficamos esperando a amiga dele chegar pra pegar o ingresso da festa, e quando conseguimos, entramos. 

Assim que entramos fomos comer e no caixa da lanchonete estava Ian, o meu melhor amigo. Nós conversamos pouco e depois voltamos pra mesa esperar por algo pra acontecer. Os amigos da Alice, que é minha irmã, chegaram na mesa e eu, como é de se esperar, fiquei meio incomodada porque são desconhecidos e eu já não sou boa em socializar com gente conhecida que não seja o meu namorado, então já sabem. Mas no final acabou que eles eram legais e não ficaram forçando uma conversa, só ficaram com a Alice enquanto eu e Cauê conversamos e tirávamos fotos.

Meu pai chegou e a formatura começou. Aquela coisa de sempre: becas, os nomes sendo chamados, homenagens (risos), vídeos com fotos zoadas, discursos, patronos, paraninfos, gente chorando, palmas e os capelos voando. O Trigo, amigo do Cauê, chegou entre esses momentos, e ficamos os três na mesa com meu pai e os amigos da Alice. Meio estranho, mas foi legal.

Nós andamos por aí quando a cerimônia acabou, observando as pessoas e tentando fazer o tédio anterior passar. Na hora da valsa, eu vi Alice dançando com meu pai, e quando a valsa livre começou eu perguntei pro Cauê se ele queria dançar. Ele disse que sim, então eu o puxei pra pista de dança e ele disse que era bom ficarmos no meio para passarmos despercebidos.

A música era A Thousand Years, de uma cantora que eu não lembro o nome e estou com preguiça de pesquisar. Eu lembro que ele disse:

"Uma vez eu sonhei com você e estava tocando essa música."

Nós dançamos lento observando as pessoas dançaram de um jeito diferente da gente, mas eu não me importei. Eu olhei para ele, a iluminação batendo desgraçadamente no rosto, mas não me importei, ele ficava bonito assim. Ele estava lindo e eu só conseguia pensar: "caralho, puta que pariu eu amo esse garoto". O momento em si foi a melhor coisa da noite. Eu realmente não esperava que fosse tão bom assim.

Depois disso o Trigo sumiu e nós fomos lá fora para ver a praia (sim, para ver a praia, EU JURO). Nós ficamos com medo de descer até lá porque estava ventando e escuro, e podíamos morrer, ou pior, ser roubados por uns caras que estavam lá. 

Nós descemos mesmo assim, pelas escadas que tinham na beira da praia. Não tinha mais ninguém lá, então a gente acabou se pegando. A adrenalina da possibilidade de alguém aparecer foi gostosa, eu sempre gostei desse negócio de fazer coisas em público, é divertido. Foi mais divertido ainda porque foi por ele, e também pelas coisas que aconteceram lá.

Trigo foi embora e lá fomos nós tirar fotos. Alice tirou fotos muito bonitas nossas e tiramos foto na minha câmera instantânea. Depois disso nós íamos embora e meu pai convidou o Cauê e os amigos da Alice para comer pizza. Ele já estava bêbado, mas foi divertido mesmo assim.

Lá fomos nós para a pizzaria. Tinham no mínimo umas trezentas pessoas no carro. O Cauê foi na frente e isso me deixou triste por causa da distância e do fato de que ele nem sequer virou o rosto para falar comigo. Devia estar com vergonha por causa dos amigos da Alice falando sem parar enquanto eu desejava que chegássemos logo.

Chegamos e comemos muita pizza enquanto um dos amigos da Alice, que está nos Estados Unidos, fazia uma vídeo-chamada para falar com todos e o "squad" ficar completo. No final, levamos o Cauê até a casa dele e meu pai não gostou da ideia do pai dele me chamar de "norinha". Mas eu não liguei, porque eu até gosto disso.

Eu fui pra casa olhando pela janela do carro, as estrelas e a pista. Eu fiquei feliz, eu estava sorrindo. Esse efeito que momentos infinitos têm sobre mim são fascinantes, principalmente se eles incluem Cauê Cavalheiro. Acho que não seria possível esse dia ter sido melhor, até porque eu estava do lado dele, e por mais clichê que isso seja, ele faz tudo ficar legal. Acho que até comer pizza com abacaxi seria legal do lado dele.

No final, eu fui dormir com a certeza de que dias como esse acontecem poucas vezes durante da vida, e que eu devo guardar isso, como estou fazendo nesse post. Alguns dias perdem a graça ao longo do tempo, como a minha própria formatura, mas dias como esse ficam pra sempre eternizados como se tivessem acontecido ontem. Bem, foi realmente ontem, mas você me entendeu, não é?

All the love,
Nadine W.

segunda-feira, dezembro 04, 2017

churrasquei ou churrascou


Sábado é dia de churrasco, certo?

Não. Na verdade, todo dia é um ótimo dia pra comer uma carne no sal grosso, linguiça toscana e pão de alho. Mas esse churrasco que eu fui foi em um sábado à noite mesmo, um churrasco de sábado, e eu acho que ele merecia um post.

O tal do churrasco foi na casa do Trigo, amigo do Cauê, que é o meu namorado. Eu acho que eu não tinha falado o nome dele aqui ainda - é que o último post tinha um quê de poético que eu até acabei esquecendo - mas para constar, o nome dele é Cauê Cavalheiro. E SIM, eu zoo o nome dele às vezes, é muito divertido. Mas, voltando ao assunto, eu cheguei de carro com meu pai na frente da casa, onde o Cauê e os outros amigos dele conversavam.

Meu pai, sendo o velhinho mais popular da cidade, reconheceu o pai do Trigo e eles ficaram conversando, enquanto eu ia pra rodinha dos garotos e observava-os conversando, do lado do Cauê o tempo todo. 

Quando a gente entrou não tinha mais comida, então a gente fez melhor: pegamos umas bebidas azuis, misturamos tudo e voltamos lá na frente, e tomamos dividindo o copo. Depois que acabou, a gente pegou de novo, dessa vez com gelo, e mais uma vez, e mais uma, e mais uma. Nem lembro quantas.

Nós sentamos na mesa perto da churrasqueira em certo momento. O Trigo estava colocando música na caixa de som, enquanto uns amigos bebiam. Eu e Cauê continuamos a beber. "Você tá bêbada?", ele perguntou. Eu disse que não.

Os outros amigos do grupo foram pra ponta da mesa jogar truco, então os sons de fundo que não contavam com a música era de gente gritando "TRUCO!", e bem, essas coisas que se gritam quando você joga truco (que eu não consigo lembrar quais são).

Trigo colocou Bon Jovi pra tocar. O Cauê adora Bon Jovi, então ele ficou bem feliz. Na hora de Livin' On A Prayer todo mundo cantou no topo dos pulmões, muito animados e bêbados e felizes. E bêbados, principalmente bêbados. O Cauê estava muito muito feliz naquela hora, e ver ele assim era ótimo.

Depois disso o Trigo colocou One Direction pra tocar. Todo mundo tem um passado sombrio, não é? O meu conta com muito, muito One Direction, então eu não hesitei em me levantar para dançar as dancinhas retardadas que eles faziam - e pasmem! Não fui a única que fez isso. O Trigo, o Matheus (outro amigo do Cauê) e uma menina aleatória que estava lá estavam acompanhando todas as músicas e eu juro, aquele momento foi uma das coisas mais legais que eu já vivi, ainda mais porque eu comecei a cantar You and I pro Cauê, e a cara dele era impagável. Eu dancei muito e naquela hora eu já estava muito bêbada.

Eu sentei na cadeira, tirei o moletom e olhei pro Cauê. "Eu tô muito bêbado", ele disse. "Eu também!" eu respondi, e a gente se beijou e ficou sorrindo um pro outro. E ah, tiramos umas fotos durante isso:

    
ps: nem parece que a gente tá bêbado né? não se enganem

Depois disso as coisas foram ficando confusas como em toda vez que eu bebo - aquela dor no ombro, tontura, pessoas falando mais devagar e toda essa porra - e o Cauê inventou de colocar azeite na caipiroska de maracujá que todo mundo estava bebendo. E o que fizemos? Sim, nós tomamos, e tinha gosto de capeta com demônio. Pior que vodka pura. Pior que dipirona líquida. Pior que porr... calma, quê?

Um carinha lá deu PT disso, e para você, caro ingênuo leitor, que não sabe o que significa isso... bem, era melhor você não saber, mas já que está aqui você aceitou os termos. PT equivale à Perda Total, que é quando... bem, você vomita de tanto beber e fica inconsciente. Basicamente isso. (nota: eu acho que já expliquei isso antes, mas você não vai voltar nos posts para ler, então...)

Depois os caras misturaram caipiroska com Soda e vinagre. E, bem, nós tomamos também, e tinha gosto de capeta com demônio. Pior que vodka pura. Pior que dipirona líq... ok, você entendeu.

Depois de tomar isso a gente já estava tão louco que andar era uma tarefa meio complicada, mas adivinha? Foi exatamente o que a gente decidiu fazer. Eu lembro que estava tocando Justin Bieber quando a gente foi pra frente da casa pra se pegar. Apesar de ser estranho, era divertido, e foi bom. Depois a gente deitou no chão e o Cauê falou algo sobre aliens, e à partir daí eu já estava muito alterada e quase incapacitada. Coisa de quase não conseguir ficar em pé. Aí quando a gente conseguiu eu disse que queria vomitar e fui pro banheiro.

"Você pode falar onde fica o banheiro?" o Cauê perguntou pra mulher aleatória que apareceu na porta da casa, quando a gente entrou. "Ela tá louca", ele disse algo do tipo.

Eu entrei no banheiro - "uau, que banheiro grande" - e fiquei sentada pensando em algo que não lembro agora. Meio que lavei o rosto tentando não borrar a maquiagem - não sei do que ela importava naquele momento - e fiquei me olhando no espelho e rindo, que nem aquelas cenas engraçadas de filmes.

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Eu não sei se eu alucinei ou se teve uma hora que o Cauê me chamou pra perguntar se estava tudo bem, mas eu respondi e saí do banheiro dizendo que estava melhor. MENTIRA!

Voltamos pra perto da churrasqueira e eu disse que queria sentar nas escadas perto da piscina. Pro Cauê não foi uma boa ideia - bêbados e piscinas? - mas ele me ajudou a sentar e disse que ia no banheiro. Ele olhou pro amigo dele, o Brozio. "Cuida da minha mulher, eu vou no banheiro", e lá se foi, me deixando do lado da piscina enquanto o Brozio nem me enxergava.

Teve uma hora que ele me perguntou alto: "Nadine, tá tudo bem?", e eu respondi "sim". Na minha cabeça eu estava gritando SOCORRO. Deitei do lado da piscina tonta pra caralho e fiquei molhando a mão.

Quando o Cauê voltou foi engraçado. "Ô porra, você cuidou direito dela hein, ela tá quase entrando na piscina!" e eu ri, e ele me arrastou pra longe da piscina e deitou do meu lado, então ficamos vendo o céu com nuvens e algumas estrelas, mas principalmente a lua.

Esse foi provavelmente o melhor momento da noite. Eu não falei, mas pensei: a mesma lua que eu estava olhando no dia que a gente se conheceu. A gente sempre compartilhou o mesmo céu. A gente se encontrou. E a gente tá aqui agora, e aquilo era lindo. 

O Matheus, carinha que estava cantando One Direction com a gente, tirou umas fotos nossas quando sentamos. Ele disse que éramos bonitos e algo parecido. Ele é muito legal até.

 
aqui parece que a gente tá bêbado

Eu não lembro de nada do que a gente conversou naquela hora porque eu ainda estava muito bêbada e ele também, mas depois disso meu pai chegou e eu tive que fingir que estava sóbria como eu sempre faço - eu não posso beber, eu tomo remédio. Depois disso nada importa, porque provavelmente já era domingo, e bem, domingo não é dia de fazer um churrasco de sábado.

All the love,
Nadine W.

quinta-feira, setembro 21, 2017

atualizações sobre a minha vida amorosa

 Imagem de flowers, rose, and red  Imagem de red, love, and quote

Eu sei, eu sei, fazem séculos que eu não postava nada por aqui, mas eu juro que tenho um ótimo motivo. Eu estou adiando esse post desde o dia 8 de junho de 2017, que coincidentemente cai em uma quinta-feira em que eu conheci o garoto que salvou aquela noite chata de festa junina. 

Mas bem, não foi só isso que ele salvou.

Esse post é provavelmente um dos mais importantes que eu vou escrever - isso justifica bastante os meus incontáveis rascunhos que tentavam descrever essa história -, porque é um post sobre o amor da minha vida. Sim, foda-se se você acha que não se encontra o amor da sua vida na minha idade - que é, diga-se de passagem, dezenove anos. Eu encontrei. Eu encontrei e essa foi provavelmente uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida. Então vamos lá. Respira, um, dois, e três.

...

Sabe quando você começa algo já sabendo no que aquilo vai dar? Ou, sabe quando você tem aquele sentimento de que era pra ser? Ou melhor, quando você sabe que aquilo vai acontecer, mas ao mesmo não faz ideia? Sabe quando o destino te prega uma peça tão grande e acaba te trazendo algo que era muito, mas muito melhor do que você imaginava? Foi mais ou menos isso.

As coisas começaram na quinta. Ele precisava encontrar a barraca de cachorro-quente, porque como eu disse, era uma festa junina, a única coisa que importava lá era comida. Ou talvez não. 

Eu peguei na mão dele, os amigos me olharam estranho, e nós corremos até lá. Conversamos sobre detestar fazer pedidos por sermos muito tímidos. Muito tímidos, é? Então explica como nós nos falamos a festa inteira como se nos conhecêssemos há séculos. Bom, simplesmente não tem explicação.

Ele olhou pra mim enquanto eu olhava pra lua, então olhei de volta. Eu sabia. Só não sabia que eu sabia. Ele sorriu, a gente roubou uma garrafa de refrigerante e fomos falar com o cara que estava tocando sertanejo que escondia uma garrafa de Catuaba atrás do equipamento.

A gente se beijou no sábado.

Calma, não foi fácil assim. Eu o convidei para uma audição que ia acontecer, eu ia tocar lá. Não o deixaram entrar, mas ele ficou olhando da janela mesmo assim. Eu toquei a música, os jurados aplaudiram, disseram que eu era boa. Eu saí da sala e a gente simplesmente se beijou. Ok, bem fácil.

Desde lá a gente já se comunicava por vias cibernéticas como se fôssemos amantes de longa data. Desde o começo a gente já sabia como ia acontecer. Desde o começo foram as declarações, e desde o começo a gente estava apaixonado. O que pode parecer estranho para você, caro leitor, e eu admito, era inédito. Mas o melhor de tudo é que era real.

"É possível me apaixonar por alguém que eu conheço há dois dias?", eu perguntei para o meu melhor amigo. Ele disse que não, mas eu sabia que sim. Apesar de me apaixonar pelo que achava dele, eu acabei descobrindo que a versão real dele era ainda melhor - e isso era incrível. 

Era possível eu saber disso desde o começo? Eu não sei. Mas o rumo que as coisas levaram me fizeram acreditar que realmente, o destino existe. Eu já tinha minhas suspeitas, eu confesso, e Deus, foi o melhor jeito de descobrir isso.

Começamos a nos encontrar para tocar. Formamos uma dupla. Ele tocava guitarra, eu cantava. Nos juntamos. Ele me deu uma guitarra antiga e cheia de história dele, eu cedi o apartamento de cima. A gente se beijou perto do playground. Um menino achou que ele era uma garota. 

Então eu fui na frente da escola dele. O amigo dele disse que eu era muito branca, eu olhei para os adolescentes, a gente andou de mãos dadas e viu memes no celular dele. Ele jogou um jogo que ele adora. Aliás, ele adora jogos.

Então nós fomos à festas. Eu conheci os amigos dele, a gente se pegou, e dançamos música lenta. Tiramos fotos - muitas fotos. 

As despedidas eram terríveis. E toda vez que ele estava perto de chegar, eu sentia o mesmo frio na barriga. O mesmo de quando eu estava sentada no banco lá na audição, enquanto assistia ele saindo do carro com o cabelo molhado enquanto fazia um frio do caralho.

Eu escrevi pra ele. Incontáveis coisas. Textos, poesia. Eu escrevi coisas na minha cabeça, eu martelei muitas vezes lá e pensei muito. Eu montei versos que combinavam com o sorriso dele. E eu tinha certeza de que aquele sorriso era o meu sorriso favorito no mundo. Ele me inspirava de um jeito que ninguém conseguiu fazer. Tudo nele era pura poesia, e eu adorava isso.

Eu não sei exatamente quando eu me apaixonei. Foi acontecendo. Talvez eu o amasse desde o primeiro dia, eu não tenho certeza. Talvez a gente tenha se conhecido em outra vida, talvez a gente tenha se amado lá. Aí não conseguiram apagar o amor quando renascemos. A linha vermelha amarrada nos nossos dedos foi encurtando até que nos esbarramos, até aquela hora em que eu reconheci o garoto como o guitarrista daquela banda que eu tinha ido ver em maio. Era ele, Nadine! O tempo todo!

O "eu" virou "nós" em uma extrema facilidade, isso me assusta às vezes. Eu nem sei dizer como tudo isso aconteceu. Desde o começo nós éramos tão errados... mas felizmente demos certo. É até desafiador tentar explicar isso porque é muito maior do que qualquer coisa que eu vivi. Eu já tive paixões, e já disse que amava algumas vezes, mas eu não fazia ideia do quão intenso aquilo poderia se tornar - intenso o suficiente para o "eu te amo" não ser suficiente.

Eu disse que o amava enquanto estava nos braços dele. Deitados na cama dele, no quarto dele, na casa dele. Nos braços dele. Eu dormi por uns cinco minutos, ele adorou aquilo. A gente foi mais longe, a gente continua indo, cada vez mais e mais e mais...

Ele me deixa sem fôlego. É ainda mais excitante saber que a parte física é tão intensa quanto o amor. Eu não preciso dar detalhes sobre isso, não é? Não preciso retratar o caminho que as mãos dele percorrem pelo meu corpo, nem de todos os arrepios na espinha, ou o jeito que ele me segura pelo pescoço, ou como ele me deixa facilmente sem ar, e me causa espasmos? Será que eu preciso dizer que ele tem lábios lindos que me beijam de um jeito que ninguém me beijou antes? Preciso falar sobre as marcas, as marcas visíveis e invisíveis, e o quanto não importa quanto nossos corpos estejam colados, nunca é suficiente? É uma pena mesmo dois corpos não ocuparem o mesmo espaço, porque se o fizessem... com certeza estaríamos unidos.

Tudo nele é tão bonito. Ele tem o melhor sorriso do mundo, é o tipo de sorriso que dá gosto em saber que é por minha causa. Seja por piada, ou porque fiquei brava, ou porque tropecei ou fiz algo atrapalhado que capturou a atenção dele. Eu gosto do cabelo dele, é grande e tem um cheiro bom. Ele tem um cheiro bom. Eu gosto das roupas que ele usa. Eu gosto dos abraços dele. Na verdade eu amo. Isso porque eu o amo e eu tenho certeza disso. Eu amo tudo nele.

Nós fomos no cinema. Foi o dia em que eu o pedi em namoro. Sim, eu o pedi em namoro. Minha mãe achou estranho, mas meus amigos gostaram da ideia. Ele aceitou. O filme não era ruim, mas eu não liguei muito pra ele. Eu estava ocupada.

E o que ninguém achava que aconteceria aconteceu, Nadine está namorando. Bem, parece que foi um caminho curto até aqui, mas não. Foram muitas conversas retardadas e gritos internos até chegarmos nesse ponto. Eu acredito que ainda tem muito mais por vir, e eu estou muito ansiosa por isso. 

Sabe quando você começa algo já sabendo no que aquilo vai dar? Ou, sabe quando você tem aquele sentimento de que era pra ser? Ou melhor, quando você sabe que aquilo vai acontecer, mas ao mesmo não faz ideia? Sabe quando o destino te prega uma peça tão grande e acaba te trazendo algo que era muito, mas muito melhor do que você imaginava? 

Foi mais ou menos isso.


All the love,
Nadine W.

sábado, maio 27, 2017

home, where i belong


i got no other place to go

Hoje eu saí com a minha melhor amiga de anos depois de muito tempo. O nome dela é Mirelly e ela mora em São Bernardo, então não podemos nos ver geralmente. Mas ela veio pra cá então decidimos fazer um piquenique.

Tudo começou quando eu estava andando na rua da minha casa, ouvindo Heartstrings da Leighton Meester nos meus fones do chinês super legais, quando os pais da amiga da minha irmã me encontraram e me deram uma carona de carro até o centro.

Quando encontrei com a Mirelly, o meu instinto natural foi aquele antigo de correr e abraçá-la e ela fez o mesmo. Foi um abraço depois de ano que me encheu de alegria de alguma forma. Era como reencontrar consigo mesma há uns anos atrás, vendo como se tudo fosse como era antigamente.

Nós fomos pro mercado e compramos suco natural de uva, mexericas, bolo e tortinhas e subimos o Convento (uma igreja que fica em um morro) - devo dizer que foi uma subida muito conturbada, muitas faltas de ar envolvidas.

O legal foi que tiramos nossos sapatos e colocamos os pés na grama e foi uma sensação realmente deliciosa. Estendemos a canga dela, com sóis e luas na estampa e comemos e conversamos sobre passado, presente e futuro. Foi uma das conversas mais legais que já tive, e fazia muito tempo que não conversava tanto - só com a minha mãe isso acontece.

Depois fomos na Pinacoteca da cidade e vimos uma exposição de fotos e quadros no primeiro andar. Lá era muito bonito e novo. Compramos cigarro - L.A. de cereja e menta, realmente delicioso (PS: eu tinha prometido pro meu pai que ia parar de fumar, mas meu interior estava implorando por isso).

Fomos fumar na praia e lá conversamos sobre outras dimensões, meus lados e algumas outras coisas filosóficas. A parte mais legal foi quando falamos sobre pertencer à algum lugar, e como geralmente nos sentíamos como se não pertencêssemos à lugar algum. Falamos sobre como nossa cidade é bonita, e eu concordei, mesmo sempre reclamando de lá e da falta do que fazer. Esse passeio me fez pensar que nós pertencemos ao que fazemos do lugar onde estamos, e não só o lugar. Nesse dia, essa cidade era o melhor lugar do mundo.

Falamos que às vezes nós pertencemos à nós mesmos, porque o ser humano é infinito em suas limitações. O ser humano é realmente algo incrível e maravilhoso, você já notou?

Colocamos uma cantora nórdica para tocar - Mirelly adora cultura nórdica -, a Aurora. Foi um momento muito grandioso quando eu estava fumando e ouvindo a música, olhando para o mar no frio do outono. Mirelly dançou com os pés na areia e eu observei no momento mágico que ele havia virado. 

A Aurora tem essa música chamada Runaway, o título do post é uma parte da letra. Pensei isso depois que já tinha voltado pra casa, que a nossa casa somos nós mesmos, e mesmo quando você não tem para onde ir nem ao que recorrer, você ainda tem o seu interior infinito, cheio de esperança, possibilidades e grandiosidade.

Deixando um pouco a filosofia de boteco de lado, à noite eu fui para o centro com a minha irmã e a amiga dela. Tirei umas fotos delas e encontrei a Ana Laura, o Luciano e mais alguns amigos da minha antiga escola, a Etec. Não foi nada muito longo, nós procuramos por álcool com o Hani e não encontramos, mas não tem problema.

O dia coincidentemente acabou do mesmo jeito que começou, indo de carona com os pais da amiga da Alice, até minha casa. Meus pés já estavam cansados e eu pude conversar com minha mãe sobre meu dia, que foi ótimo, e eu pude perceber que não há nada como nossa casa.

  
fotos do dia

All the love,
Nadine W.