quinta-feira, julho 26, 2018

a cafeteria e o rio do lado

Imagem de Symbolix

Já faz mais de um ano que eu conheço o Cauê. Mas hoje, nesse encontro específico, eu sentada no banco do passageiro do carro da minha mãe, no caminho até a cafeteria, senti um extremo frio na barriga - um frio conhecido, o mesmo do dia em que ele foi na minha casa pela primeira vez.

Eu fui direto para a rua de tijolos vermelhos e caminhei até um dos bancos, de frente para o rio. Eu fiz carinho em um gato que vive lá e come peixe dos pescadores, e então esperei.

Já faz mais de um ano que eu conheço o Cauê, mas quando eu me virei para observá-lo passando pela esquina, de jaqueta preta e o cabelo familiar solto e ondulado voando por causa do vento, nesse momento eu senti a mesma sensação que eu lembro de ter sentido no dia que ele chegou para ver minha audição, dois dias depois que nos conhecemos. Isso me faz pensar se eu já o amava desde aquele dia.

Nós sentamos na mesma mesa da cafeteria do primeiro dia que comemos lá, uma mesa com a vista de uma janela grande e bonita. Se você olhasse por ela, parecia que estava em Veneza, por causa do rio logo ali do lado. E acho que é por isso que o lugar se chama Veneza Café.

Pegamos bolos de sabores diferentes pra dividir e café com leite. Ele mergulhou o chocolate em formato de concha no café e nós comemos conversando sobre algo que não lembro - provavelmente algo muito divertido ou só engraçado. Nós pagamos e voltamos para o banco.

Essa parte da história me agrada muito. O clima estava frio, a paisagem cinza, meio silencioso, ventando. Nós pegamos livros na minha bolsa e lemos. Cauê para o tempo todo pra fazer comentários enquanto eu tentava me concentrar. Como ele consegue ler e fazer comentários alternando isso o tempo todo? Não sei, mas foi divertido mesmo assim. Ele diz: "Eu gostei desse diálogo". Eu digo: "Olha o tamanho desse capítulo". Depois voltamos ao silêncio, tirando uma ave que fazia barulho de risada de bruxa.

Em algum momento nós decidimos ir para a casa dele e simplesmente vamos, com umas compras no carro da mãe dele. Nós deitamos na cama dele e ele marca minhas coxas. Depois a gente come um lanche e vê Naruto. Eu ainda não falei sobre Naruto aqui, não é?

Pois bem: NARUTO. Vou fazer uma pausa nessa história de hoje pra falar o quanto eu AMO esse anime. Eu não gostava de anime, mas Cauê praticamente me obrigou a ver - de um jeito bom, porque deu certo e agora eu adoro muito esse anime, e DEUS, que coisa maravilhosa. Ok, podemos voltar para a programação normal.

A gente viu Naruto e depois eu coloquei a bandana da Aldeia da Folha (isso é de Naruto) na cintura e tiramos fotos. Ele me deu uma das luvas dele, também com o símbolo da Aldeia da Folha e eu fiquei feliz. Mãe do Cauê me deu cremes pro corpo. Cremes pro corpo muito cheirosos e bonitos. Obrigada obrigada. Eu sou muito mimada por essa família.

Nós tiramos várias fotos ao longo do dia, e aqui vão elas:

  
nós, tomando café

  
minha roupa, nossos livros

  
eu sendo ninja e a gente no quarto dele

Acho que ainda não falei sobre meu cabelo, não é? Mas vou deixar isso pra outro post. Por enquanto tô sentindo outras coisas, talvez mais tarde. 

O que eu mais gosto sobre o Cauê é por causa de um sentimento sobre relacionamentos que eu tinha que ele fez desaparecer. Aquele sentimento de que eu sempre ia acabar enjoando das pessoas que eu costumava gostar, pelo fato de eu mudar tanto e tantas vezes que acabo por mudar meus sentimentos também. Mas, bem, quando eu conheci esse garoto eu tinha esse medo - de que os sentimentos por ele apagassem. Pelo contrário, eu tenho a extrema sensação de que ele jogou gasolina nos meus sentimentos e agora eu sou tipo um incêndio e ele é a única coisa que consegue controlá-lo. Passar um ano inteiro com ele me fez perceber que os meus sentimentos não mudam mais como eu mudo. Também me fez perceber que um relacionamento pode ficar ainda melhor com o tempo, pode ficar mais forte e mais intenso mesmo depois das "primeiras vezes", mesmo depois da parte que eu achava emocionante. Na verdade, todo o relacionamento e tudo nele é emocionante, mesmo que seja algo calmo e terno. E foi ele quem me fez perceber isso.

Já faz mais de um ano que eu conheço o Cauê. Mas hoje, quando eu saí do carro para me despedir dele, na calçada de uma rua escura e mal iluminada, eu me senti como na primeira vez em que doeu demais me despedir dele, em uma festa, em que eu quase me esqueci de entregar a jaqueta dele, e isso me fez pensar se eu já não o amava desde aquele dia.

All the love,
Nadine W.

sábado, março 31, 2018

depois

Imagem de couple, love, and tumblr

Em cima dele, não era a hora. Não agora. Depois. 

A gente se beijava, parava, se beijava. "Depois", eu disse. "Depois", ele concordou. E me beijou. E eu o beijei. E eu voltei pra cima dele. Ele me agarrou pela cintura. "Depois", eu sussurrei.

Senti-o por baixo da roupa. Movimentos. Silêncio. Respiração e olhos fechados. Mãos que percorrem o corpo mas não, não deveriam. Eles vão nos alcançar. Eles vão nos pegar. Nós temos tempo, deixa a noite cair. Não podemos agora. Depois.

Olhos na tela, olhos nos olhos. Ele me olha como quem me vê. Olhos na tela, olhos nos olhos. Olhos na boca, boca na boca. A gente não pode. Eles estão acordados. A porta não está trancada. Os passos e os barulhos assustam, mas não nos faz parar. Ele me pega pelo pescoço. Não. Depois.

Não precisávamos falar mais nada. As horas passavam, os beijos ficaram mais profundos. Pausas. As sombras percorriam a casa e nós éramos errados. O desejo de fazer algo por ser proibido fazia tudo ficar divertido. Ele provocava, e como provocava. Passava os dedos sob minha pele, de leve, e eu não conseguira pensar em mais nada. 

"Depois", eu sussurrei, entre os beijos. "Depois", ele puxou meu cabelo. Ofegante. Não havia ar. Ele era ar. Ele era tudo. O tecido irritava, eu não precisava. Continuamos parados. Eu o olho de novo. As horas não passavam. O tempo não passava. O tempo era agora, mas a hora era depois.

A palavra ecoou na minha cabeça enquanto eu tentava prestar atenção em qualquer coisa. Para de pensar nisso. Para de pensar. Eu não conseguia. Eles chegaram. Disseram "boa noite".

A tela se apagou. Os barulhos da noite silenciaram. Os céus nos deram permissão para fazer o que quer que faríamos dentro do quarto no breu. Eu já não enxergava, eu só sentia. Era quente. "Depois não", eu sussurrei em seu ouvido. E ele respondeu:

"Agora."

quarta-feira, março 28, 2018

as letras & o sábado

Imagem de love, beach, and couple

I

Tem uma hora na sua vida que você muda completamente. Não sei exatamente em que dia ou período da vida isso acontece, e eu tenho em mente que nem sempre é tudo de uma vez. Só sei que tem um dia que você chega da escola com lápis de olho, unhas pintadas de preto e diz: foda-se essa merda. Mas... não é exatamente essa mudança que eu quero falar sobre.

No meu primeiro post nesse singelo blog, eu, Nadine Wegas, havia declarado ao mundo - só que mais para mim mesma - que eu não faria faculdade de jeito nenhum, porque queria seguir carreira como escritora. Isso há mais ou menos dois anos, quando eu saí da escola completamente destruída de todos os jeitos. Minha cabeça estava uma merda, eu estava uma merda, tudo estava uma merda.

Durante esses dois anos eu pensei muito sobre futuro. Escrevi um álbum completo, a metade de um livro, alguns poemas. Ouvi muito do meu pai, que achava que eu passava meu tempo fazendo porra nenhuma. Eu superei coisas, principalmente escrevendo sobre elas. Tive noites horríveis. Fiquei bêbada, drogada. Comecei a fumar. Às vezes eu achava que realmente não havia mais solução para o que eu era. E bem, nunca houve, mas não é exatamente isso que eu quero falar sobre.

Em algum momento em 2017 (estou falando como se não lembrasse o dia) eu conheci o meu namorado. SIM, o mesmo namorado que eu falo em toda porra de post que eu escrevo. Anyways, eu o conheci, e graças à ele eu percebi que ficar parada era entediante. Ele, além disso, me deu forças para começar a pensar sobre o que eu queria da minha vida. E bem, esse foi o primeiro passo até eu chegar na faculdade de Letras.

Eu fiz o Enem, eu ganhei a bolsa, eu me matriculei, eu resolvi coisas. Então, de uma hora para outra eu estava sentada na parte da frente da esquerda de uma sala, ouvindo uma professora falando sobre Fonologia em uma aula de Gramática Aplicada. E quer saber? Eu adorei isso.

Amo esse curso desde o primeiro dia de aula. Sério, eu não sei por que eu ainda tinha dúvidas se fazer isso era realmente o que eu queria. Acontece que eu quero isso, eu quero muito. Eu sou e sempre fui apaixonada pela Língua Portuguesa, e de quebra, pela Língua Inglesa também. Estudar essas línguas, ainda ter que escrever, ler, participar de eventos literários, tudo isso, além de divertido, é algo que vai me fazer feliz no futuro. Ser professora. Ensinar. Traduzir. Revisar. Ler. Escrever. Aprender.

Essa primeira parte do post era na verdade para descrever como é estar na faculdade, mas faz tanto tempo que eu não escrevo um post sobre escola que eu até esqueci como se faz isso. Então, deixo aqui uma lista de coisas que acontecem na faculdade.

  • Eu estudo na mesma faculdade que minha amiga Ana Laura. Nós ficamos juntas quando chegamos e na saída, geralmente. É a minha melhor companhia.
  • Eu acordo 4 fucking horas da manhã. Mas ficar no ônibus ouvindo música e ver o dia nascer é lindo.
  • As aulas são ótimas. Os professores falam muito e eu escrevo muito sobre o que eles falam. No final é bem divertido.
  • Antes da aula eu tiro um tempo para ler livros, atualizar minhas leituras. Terminei de ler Tartarugas até lá embaixo hoje.
  • Eu tenho companheiros para fumar! Nem sempre são os mesmos, mas geralmente o mesmo grupo de pessoas da minha sala que saem no intervalo para tirar um tempo e morrer lentamente por culpa de tabaco e nicotina.
  • Eu não consigo mais viver minha vida sem café. Sério, não dá mais.
  • Aliás, tem uma placa perto da faculdade em que está escrito "que não falte café!". Me senti muito representada.
  • PDFs, muitos deles.
  • A faculdade é diferente do Ensino Médio: você não bola aula, simplesmente não vai. Você pode sair no intervalo, e pode simplesmente não voltar. Você pode sair da sala sem pedir pra ninguém. Você tem a escolha de fazer atividades ou não. VOCÊ PODE FUMAR NA FRENTE DA FACULDADE E NINGUÉM PODE TE IMPEDIR!
  • Não tem nada a ver com a faculdade, mas eu tô com saudade do meu cigarro.
  • Eu recebi diversos elogios sobre minhas roupas. Adoro escolhê-las na noite anterior à aula.
  • Não uso o elevador, e sim a rampa. E mesmo que eu estude no terceiro andar, ainda sim é muito cansativo.
  • Eu tenho minha própria carteirinha. E tenho minha própria carteirinha do ônibus também!
  • Adoro o cheiro de queijo perto da cantina pela manhã.
  • Escrevi "POP PUNK IS NOT DEAD" no banheiro. Não contem pra ninguém.
  • Ar condicionado nas salas é incrível. Obrigada Deus.
  • Fiz amizades, como a Maria Emilia, que faz trabalhos comigo, e uma menina no ponto de ônibus e a mãe dela, que ficam sempre lá.
  • Apesar de novo e ótimo, ainda é um pouco esquisito.
  • Não sei mais como interagir socialmente. Parece que eu acabei de sair da caverna do Platão.

II

Sábado.

"Vamos sair daqui?", eu pergunto e ele assente. Foi assim que a noite começou.

A festa estava uma merda. Eu tinha esquecido a pulseira pra entrar, mas consegui mesmo assim. Nós entramos no estacionamento aberto com alguns food trucks e uma tenda com um DJ no fundo. Desde que eu colocara meus pés ali eu sabia que a festa ia ser uma merda, então nós decidimos que o certo a fazer era correr dali e ficar bêbados.

Cauê usava a jaqueta marrom que eu dei de presente pra ele junto da roupa que eu mesma escolhi no dia anterior. Eu usava uma camisa jeans sob uma camiseta cinza, com os meus colares e um pouco de maquiagem na cara. Nós andamos pela orla e fomos até o centro, tentamos achar meu pai e depois minha irmã, só que não deu muito certo.

Nossa ideia foi descer a ladeira, o ponto de encontro de jovens que bebem e usam drogas, e fumam, e bebem mais. Um lugar um pouco tóxico - não por causa das substâncias, mas sim pelas pessoas. Não que eu não goste delas, eu nem as conheço. Só acho que aquela aglomeração poderia facilmente me dar náuseas.

Encontramos um amigo do Cauê. Na verdade não um, mas vários - como ele conseguia ser tão popular? - e um deles nos deu gin com corote, e nós subimos com o copo até a praça, até ficarmos um pouco alterados.

Comecei a tossir, tossir muito. Pensei que fosse morrer. Nós compramos água, sentamos atrás da igreja, meio que brigamos. Decidimos beber mais, e lá fomos nós, descer a ladeira. Encontramos mais um amigo do Cauê que comprou um corote de morango pra gente. Nós subimos e ficamos sentados ao lado da pinacoteca. Minha irmã passou lá e riu do nosso corote.

Não era tão forte quanto eu imaginava que fosse - tinha gosto de algo que eu não lembrava o que era. Cauê disse que tinha gosto de xarope, mas não importava. Ia deixar a gente louco? Então botamos pra dentro. Descemos de novo e eu arranjei cigarros com o mesmo amigo dele, o Gustavo, que foi muito gentil em me dar 4 fucking cigarros. Essa parte do post ficar em agradecimento à ele, valeu cara. Salvou minha vida.

Nós voltamos para a parte de trás da igreja. Cauê sentou em uma mureta e eu sentei no chão, entre as pernas dele - por que eu tenho essa mania de sentar no chão? Nós tomamos a coisa vermelha enquanto eu fumava e esporadicamente nos beijávamos ao longo do tempo.

Em um certo momento ele estendeu a mão para a minha própria, com o cigarro entre os dedos. Ele não fumava, então estranhei. "O que foi?", pergunto, e ele pega o cigarro da minha mão, e eu, sem entender exatamente o que aconteceu, o observo tragando e soltando a fumaça parcialmente pelo nariz e pela boca, e eu não sei exatamente o porquê minha cabeça gravou esse momento tão nitidamente, mas eu só sei dizer que aquilo me excitou. Me excitou de verdade, e eu não sei dizer o porquê. Talvez eu seja uma pessoa horrível que vê beleza em coisas que destroem, e que talvez seja por isso que eu sou um pouco narcisista. Mas isso não importa. Aquele momento foi algo.

Uns momentos depois eu e ele passamos fumaça um para o outro - tipo um beijo, só que com tabaco envolvido. A sensação era extremamente boa, principalmente porque também tinha o gosto da Halls preta que a gente estava chupando, e principalmente porque eram os lábios dele, e a língua dele, e os meus lábios, e a minha língua. Socorro.

Por algum motivo, assim que ficamos bêbados, começamos a cantar algumas músicas - a maioria do Green Day - enquanto nos beijávamos e olhávamos um para o outro. O momento era incrível, até combinava muito com tudo o que eu gostava. Bebida, cigarro, Green Day, Cauê. Meu Deus, aquilo era demais. 

Descemos na ladeira, dessa vez alterados, e cantamos Livin' On A Prayer em certo momento, com um amigo do Cauê e mais um cara. Saímos dali e dobramos para uma rua mais calma, e nos beijamos. Nos beijamos muito. E então cantamos a introdução de Letterbomb olhando um para o outro. Isso era pra ser esquisito? Porque pra mim foi um dos melhores momentos da noite. Uns amigos do Cauê passaram pela gente e nos zoaram, e eu disse: "por que é que você tem que ser tão reconhecido?". A banda, Nadine. Ele era guitarrista de uma banda. Mas na real, isso não importava pra mim. Não tanto quanto ele importava pra mim. Não tanto quanto ele. É, eu sabia que ele era mais que isso, eu sempre soube. Por mais que tenha o visto pela primeira vez em um show dele, eu sabia que ele não era aquele show, nem qualquer outro, ele não era um solo de uma música do Nirvana nem só mais um guitarrista base de só mais uma banda. E isso importava.

O amigo do Cauê do gin vai até nós para se despedir ou algo assim, e enquanto conversamos eu mexo no gesso da parede que estava encostada e um grande pedaço dele cai, se espatifando no chão. Nós rimos descontroladamente, mesmo que não tenha sido tão engraçado assim. As pessoas do bar ao lado nos olham como se fôssemos loucos. E nós éramos. Nós sempre fomos.

O próximo momento nos leva até a praia. Praia, em que descemos meio cambaleando, Cauê senta na cadeira dos bombeiros, eu tiro uma foto, nós vamos para perto do mar. Eu não enxergava direito onde o mar acabava e a areia começava, mas ficamos em um ponto perto disso. Eu ainda fumava, nós paramos e eu observo as estrelas. Elas estavam lindas, realmente. Mas na real, não tanto quanto ele.

Eu não lembro o que a gente conversou nessa parte. O irônico é que eu lembro sim, de umas falas, e elas foram exatamente um "você vai lembrar disso depois, né?". A gente se beija, gosto de cigarro e Halls e corote e saliva. Um gosto bom. Fazia calor. Suei muito nesse dia, mas teve uma parte em que eu não ligava mais. 

Nós voltamos até a festa no final dela, quando os adolescentes já enchiam a orla, esperando por seus pais. Esperamos os nossos, mas tive que voltar pro centro. Nada depois disso importa muito. Não tanto quanto tudo isso, não tanto quanto ele, não tanto quanto a introdução de Letterbomb e passar fumaça. Não tanto quanto ele.


All the love,
Nadine W.

domingo, fevereiro 25, 2018

o momento

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Eu não sei o quanto você, caro leitor, que está lendo isso, sabe sobre o amor. Eu não sei o quanto as pessoas acham que sabem sobre o amor, mas eu sei que sempre vai ter algo novo a descobrir, e quanto mais fundo, melhor.

Quando a gente para pra pensar que pensa demais em alguém, você pensa: “putz, me apaixonei”. E você acha que está ferrado por isso porque existem tantos obstáculos envolvidos nisso - rejeição, ciúme, falta de interesse. E todo mundo acha que se apaixonar é uma bosta, e que amar é uma bosta. Mas mesmo assim, eu não acho.

Eu entendo que elas achem isso. Mesmo quando você começa a namorar ainda existem muitos problemas nisso. Não dá pra amar sem sofrer, e eu já disse isso várias vezes. Mas eu fico me perguntando o tempo todo como seria se não houvesse sofrimento, se não houvesse empecilhos, se não houvesse dor. Qual seria a graça? Ia ser monótono. E não ia ser interessante. Se amar não doesse, não seria uma aventura.

Acho que é por isso que eu gosto de sentir isso. Eu me sinto em um filme - não exatamente um romance, mas um romance totalmente diferente dos que se veem no cinema. Um romance real. E isso me excita de muitos jeitos. Eu não gosto do simples, nunca gostei. E viver essa aventura é tudo.

Depois de passar por várias coisas, nós - nós, eu e o Cauê - achamos que seria uma boa ideia se eu dormisse na casa dele. É, eu tive que brigar com a minha mãe por isso, e envolver meu pai, que não mora comigo, no assunto também. Ele disse: “só não apareça grávida”. Mas quem disse que eu ia transar com ele?

Deu certo no final. Eu levei minha bolsa, a gente jantou junto e ele foi jogar vídeo game, enquanto eu deitava ao lado dele. Mas nada nesse dia importa tanto quanto quando a gente dormiu junto. E a gente só dormiu, foi só isso. Mas mesmo assim foi incrível.

Nós nos despedimos deitados um do lado do outro do mesmo jeito que fazemos pela internet. “Boa noite, dorme bem ok? Fica quentinho e confortável, e fica bem. Eu te amo. Até mais.” E eu fechei os olhos.

Eu acordei no meio da noite alguma vezes e eu gostava de saber que ele estava lá do meu lado. Eu gostava de vê-lo no escuro e de sentir o cheiro, e saber que eu podia abraçá-lo pelo resto da noite, porque a hora de ir embora ainda ia demorar. E isso me deixava feliz.

Acho que eu nunca tinha dormido tão bem na vida. Eu ouvia a respiração dele e o abraçava mais. Estava frio e eu estava usando um moletom dele, e o cheiro dele invadia todo o lugar. Ele estava em todo lugar. Ele era tudo que eu respirava. Ele era tudo. Ele é tudo.

É meio assim que você descobre que ama. Vira tudo, e é tudo. Não sei se é algo que eu consigo explicar, porque é algo que eu ainda não consigo entender. Acho que eu tô falando demais sobre amor, mas é porque o amor está em todo lugar.

Esse momento perdurou por horas, mas é como se fosse um só momento. Em que eu acordava, e dormia, e o sentia. Sentia em todo lugar. Eu não poderia estar mais feliz, não poderia estar. Foi um momento infinito. Como ele, tudo é. Porque ele é tudo.

All the love,
Nadine W.

domingo, fevereiro 04, 2018

volta às aulas

Imagem de books, library, and peace

Você já foi pra aula pensando em uma aula que você queria muito ter?

Você já esteve em uma aula e pensou "meu Deus, esse assunto é ótimo, eu adoro aprender sobre isso"?

Você já teve sede em aprender alguma coisa? Ou já pesquisou um assunto à fundo por pura curiosidade?

Desculpe-me, eu acho que fui direto ao ponto, mas era exatamente o que eu queria. Esse post é uma crítica - coisa que faz muito, muito tempo que eu não faço. Eu não sou adepta à críticas, porque para criticar você precisa de alguém que leia o que você tem à dizer, e ninguém se importa comigo ou a porra do meu blog. Mas quer saber de uma coisa? Eu nunca me importei muito com quem estava lendo ou não os meus blogs, os meus tweets, os meus textos ou os meus poemas. Se ninguém me escutasse eu continuaria falando. Eu prefiro continuar tendo voz, mesmo que seja uma que ninguém ouve. E é por isso que eu estou escrevendo isso.

...

Eu sei que você provavelmente odeia a escola. Acordar cedo - ou ao menos acordar - para ir para um lugar onde você é obrigado a fazer coisas que não quer, escutar coisas que não importam e conviver com pessoas que não fazem diferença parece ser meio inútil. Não é isso que a escola era suposto a ser. Eu tenho certeza disso.

Você já parou pra pensar no quanto a gente se fode por causa da escola? Eu não vou entrar em assuntos que envolvam a convivência com seres humanos - o que já é algo difícil pra caralho - porque esse não é o foco. Eu estou falando da porra da pressão contida desde os primeiros anos. Tu é confinado por cinco horas - às vezes mais - em uma sala com trinta outras pessoas que não se interessam pelos assuntos que uma pessoa que estudou anos para dar aula sobre o assunto nem se importar se você está aprendendo ou não. A questão é essa: aprender.

Na moral, a maioria dos alunos hoje em dia passa o tempo da escola não se importando muito com o que os professores falam - até porque, na maioria das vezes, não importa. Você consegue ver alguém na sua sala olhando para o professor com olhos famintos, totalmente concentrado na explicação, realmente tentando entender o que ele diz ali na frente? Você acha que a falta disso acontecer é culpa do aluno ou do professor?

Tudo começa pela educação. Primeiramente, what the fuck? Eu nunca entendi o porquê de ter que aprender logaritmos - quem foi que inventou que isso vai acrescentar algo na minha vida? E quanto às inúmeras fórmulas físicas que nós tínhamos que decorar pra uma prova, qual você esqueceria o assunto todo ao sair da sala dizendo "acho que zerei"? Por que caralhos eu tenho que decorar a porra de uma Tabela Periódica?

Não me entenda mal, eu ainda acredito que todo conhecimento é importante. Eu sei que isso vai servir muito na vida de um matemático, um pesquisador, um químico, um engenheiro, talvez. Mas porra, eu tinha dezessete anos e tinha náuseas ao ver a minha prova de Química. NINGUÉM como dezessete anos precisa desse tipo de conhecimento. Ele é muito útil, sim, se tu fazer uma faculdade. Mas quer saber? Foda-se Química. Foda-se a escola. Foda-se essa porra que vocês consideram importante pra um adolescente que nem sabe quem é saber as utilidades dos gases nobres.

Você já teve uma aula de Economia? Ou uma que falasse sobre a realidade da politicagem no Brasil? Você já teve uma aula sobre atualidades? Sobre problemas nacionais? Me fala, por favor, você já teve a porra de uma aula no Ensino Médio em que seu professor não falava simplesmente que o assunto era importante porque caía no vestibular?

Segundo ponto: os professores. Quantos professores você acha que estão realmente se importando se você aprende ou não? Quantas vezes você provavelmente ouviu que "não importa se vocês não entenderam, o professor está ganhando do mesmo jeito"? Eu não posso dizer que os professores são a culpa da educação do Brasil estar quebrada. Sinceramente, nunca achei isso. Mas você já teve a impressão de que um professor seu queria foder com a sua vida? Você já teve a impressão de que ele tinha um desgosto maior por você, ou pior, que ele tinha um aluno preferido? Eu não sei se isso faz sentido fora da minha cabeça, mas na minha cabeça isso é errado. Professores se formam sem saber ensinar os alunos a quererem aprender, e soltam que o conhecimento é importante para se passar em um vestibular, e que depois disso o conhecimento simplesmente não importa. Quê?

As pessoas falam muito que pra tu ser um médico, tu precisa ter muito amor ao que faz, você tem que ser gentil, ter a noção de que está mexendo com vidas, tu tem que ser bom. Ninguém nunca se importou muito com o que você precisa ter pra ser um professor, e as pessoas realmente não enxergam a importância dessa profissão. É algo tão nobre quanto ser mãe - você está educando, mas não com modos e princípios, você está educando com conhecimento. E espalhar conhecimento devia ser algo feito com amor. E quantas vezes você não ouviu dos seus colegas de classe que aquele professor provavelmente "não tinha transado na noite anterior", e por isso estava aquele saco? Pois é. 

O que você precisa ter pra ser um professor? Acho que não é de conhecimento de todo mundo aqui, mas eu quero ser professora. E eu tenho a noção de que é um trabalho difícil, que eu vou ser mal paga, que eu vou ser desrespeitada, que não vão me valorizar devidamente, que muitas vezes vou trabalhar mais do que é comum para corrigir redações e provas e trabalhos, e que eu provavelmente não vou ser reconhecida por isso. Eu sei de tudo isso.

Acho que saber disso é o primeiro passo, primeiro requisito ao cogitar a ideia de se tornar professor. Você também tem que, principalmente, amar tanto o conhecimento que quer - quer não, precisa - passar esse conhecimento para todo mundo. Você tem que querer aprender para ensinar. Você tem que querer ensinar, e querer fazer com que aprendam. 

Você tem que, além de tudo, ensinar a gostar de aprender. De que jeito um professor te instiga a querer saber sobre o que ele te ensina? Você não vê muito isso, não é? A maioria dos professores que já me deram aula não me faziam querer aprender. Eles só me faziam querer terminar logo o Ensino Médio, e esquecer que aulas existiam. E isso não está certo. Não é suposto pra você odiar ter que aprender algo. Aliás, não é suposto pra ti ser obrigado a aprender algo. Tu tem que gostar de aprender. Tu tem que aprender algo que tu gosta. E isso nos leva ao terceiro ponto.

Os alunos. Você, provavelmente, que está lendo isso. Um adolescente comum, que vai à escola e simplesmente não vê motivo para aprender todas aquelas baboseiras que te enchem o ouvido por uma boa parte do dia. É chato pra você, não é?

Eu sei que pra você é mais fácil passar o dia deitado na cama mexendo nas redes sociais e conversando com as pessoas - porque o relacionamento com seres humanos é importante. Deve ser chato você passar o dia na escola ao lado de pessoas chatas, esperando pelo momento que você vai finalmente voltar pra casa e conversar com quem importa. Mas, me diz, quando foi a última vez que você pesquisou algo de interessante na internet para aprender, só por pura coincidência? Quantas vezes você trocou a sua série - que provavelmente também tem coisas a ensinar - por um vídeo de fatos desconhecidos, por exemplo, sobre como chicletes são feitos? Você acha isso um conhecimento inútil? Mas eu tenho a certeza de que é algo muito interessante para alguém.

Quantas vezes você olhou para o céu e questionou a existência de tudo no universo? Quantas vezes você se perguntou o propósito disso? Quantas vezes você simplesmente perguntou à uma pessoa coisas sobre ela sem ter nenhum interesse avulso? Quantas vezes você tentou realmente conhecer alguém? Eu não estou dizendo que se perguntar essas coisas são as coisas mais importantes do mundo, mas o importante mesmo é você parar e pensar. Pensar em algo. E então compartilhar isso com alguém. Compartilhar informações, discutir, ouvir opiniões. A vida realmente não é só feita do que dizem nas redes sociais nem de ter uma vida social interessante, ou das visualizações, ou dos likes, ou de qualquer coisa desse tipo. Desculpa, acho que desviei um pouco do assunto.

Eu entendo que você não queira aprender o que te ensinam na escola. Eu sei que provavelmente não te interessa a maioria do que te dizem lá. Mas você já parou em um assunto específico e pensou: "isso é legal de aprender"? Bem, eu já. E isso é realmente importante.

Uma vez eu estava aprendendo sobre figuras de linguagem. Sim, típica aula de gramática com palavras difíceis que você provavelmente não vai decorar. Metalinguagem, hipérbole, pleonasmo, catacrese, onomatopeia. Mas eu olhei para aquilo e só consegui sentir amor pelo Português. Sei lá, as aulas desse tipo eram incríveis. E infelizmente eu não tive quase nenhuma aula de gramática no Ensino Médio. Eu fui surrada por Literatura - vi muitas pessoas que não gostavam de ler ter que ler um livro considerado chato para fazer uma prova de livro -, sem contar algumas aulas que falavam sobre a Redação do Enem. É, sim, eu estava aprendendo a escrever para um Vestibular ao invés de aprender a escrever por mim. E isso colocou na minha cabeça que eu tinha que ensinar à alguém que a vida é bem mais que tirar um vestibular. Até porque depois do vestibular você vai ter que aprender mais. E depois disso você vai ter que aprender a viver como um adulto. E vai por mim, ninguém vai te ensinar isso. E vai ser mais difícil do que você imagina.

Eu realmente estou cansada disso tudo. Eu realmente quero fazer alguma diferença no mundo. Eu quero que as pessoas pensem. Eu quero que elas critiquem. Eu quero que elas queiram aprender algo. Quero que elas procurem aprender algo. Eu nem lembro quem disse isso, mas eu quero "apenas que busquem conhecimento". Nem que seja o mais idiota deles. Eu espero que a escola um dia faça sentido ao ponto de você sair de lá uma pessoa melhor, mais decidida e com mais certeza do que a vida é. Eu quero que volte a querer aprender assim como uma criança.

Porque no fundo eu sei que você ainda é aquela criança que se orgulhava toda vez que saía na rua e conseguia ler uma placa.

All the love,
Nadine W.

Fonte: Wikipedia

sexta-feira, dezembro 22, 2017

você só pensa nisso

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(...)

No meio da tarde, nos esgueirando por meio de lugares escuros e sujos. As mãos dadas, eu sempre ia na frente e continuava olhando para trás. Precisava saber se ele continuava lá, mesmo sentindo a mão quente apertando a minha.

Procurávamos paz, silêncio, vazio. Ninguém podia ver, mas também não podíamos estar em um lugar longe demais das pessoas. Era excitante ter pessoas por perto; mas ainda assim estarmos sozinhos.

"Você só pensa nisso..." eu murmurei, sorrindo, quando encostamos em uma parede, num lugar perto dos banheiros. Eu o envolvi pelo pescoço e ele me beijou.

"E você não?"

Nós pegamos bebidas. Sentamos em um lugar qualquer, um de frente para o outro. Trocamos goles. Morango e limão. Meus ombros doíam, minha cabeça girava. Eu queria estar em um lugar em que ninguém pudesse nos ver, mas queria estar em um lugar onde pudessem se surpreender caso nos vissem. Eu queria um lugar quieto, escuro e escondido. Eu queria que fôssemos só. Nós. Dois. Mas queria o perigo de saber que havia alguém por perto.

Subimos as escadas, chegamos na sacada. O dia ainda estava se pondo, eu podia ver a praia. Eu não me preocupei tanto com a vista, eu estava chapada. Ele me prensou na parede, me pegou no colo. Escreveu poesia com os lábios pelo meu corpo. O compasso das batidas do coração acelerava cada vez mais. Dava pra ouvir o mar, mas eu preferia o som dos suspiros.

Escureceu, não só porque meus olhos estavam fechados. Tão bêbada que não aguentei e caí. Fiquei sentada no chão, a cabeça quase pendurada pelo pescoço. Ele sentou do meu lado. Se fundiu em mim e me tocou; como as cordas da guitarra dele. Um dedilhado perfeito, ad libitum. Sem sol. Sem dó. Sem lá, só aqui.

Ele sussurrava coisas no meu ouvido, e eu ouvia ecos indo e voltando. Eu sorria e fechava os olhos, me concentrava em não morrer de prazer, proferindo sons quase nulos e tentando dizer coisas que não faziam sentido.

Eu não sabia se era só nisso que eu pensava, afinal, eu mal conseguia pensar. Eu sei que haviam pessoas na praia, pessoas lá dentro. Pessoas que podiam nos ver. Mas era exatamente isso que deixava tudo mais interessante. Ter medo mas continuar era excitante. Era adrenalina pura, mais do que pular de um prédio tendo medo de altura. Demorar era tortura, mas era bom também. Mas como tudo no mundo, acaba.

Apogeu, e então calmaria. Eu senti como se me batizassem com suor, e era quente. Ébria de álcool e clímax, suspiros pesados e sorrisos sacanas. Nos olhávamos como se estivéssemos prestes a dar um primeiro beijo, e era tão novo quanto.

Felizmente eu vi estrelas. Não só as do céu da cidade. Encostou com a língua nas estrelas do céu da minha boca, a visão era turva e não tinha porquê não gritar, mas eu me mantive calada. Ele tinha estrelas nos olhos e eu não sei se era a bebida, reflexo de luzes ou coisa da minha cabeça. Eu só sei que mostrei constelações à ele e ele agiu como se eu fosse mais extraordinária que aquilo. Ele me olhou como no primeiro dia, e tudo que conseguia sentir era déjà vu. E eu sabia que, nos braços dele, eu não precisava de mais nada. E eu só conseguia pensar nisso.

Eu só pensava nele.

All the love,
Nadine W.

domingo, dezembro 17, 2017

o momento em que eu soube o que eu queria ser, outra vez

    

Eu sabia que tinha algo grande pra acontecer. Talvez eu só não soubesse o quê, talvez eu estivesse cega no momento. Mas quando coisas como essa acontecem, você simplesmente não para pra pensar enquanto está acontecendo. Você só se dá conta quando está fazendo seu caminho pra casa, observando as estrelas apoiada na janela do carro, sorrindo feito idiota; exatamente como eu fiz no dia oito de junho desse ano. Eu fiz isso hoje, e foi mais ou menos pelo mesmo motivo. 

Eu saí de casa arrumada. O destino? Um clube no qual eu faria um show no dia. Sim, Nadine Wegas fazendo um show outra vez. Mas a coisa é que eu não estava sozinha. Além dos meus amigos - a Luana e o Ian -, meu pai e minha irmã; eu tinha companhia de palco dessa vez. E adivinhem? Era ele mesmo, meu namorado, Cauê Cavalheiro (e sim, eu sei que estou escrevendo muito sobre ele por esses tempos, mas o que eu posso fazer se os dias mais legais acontecem quando ele está lá?).

Eu sentei na mesa do fundo no lugar que eu ia tocar. Observei o palco, uma banda estava fazendo passagem de som. Não éramos os únicos que iam tocar, tinha uma banda depois da gente. Meus amigos chegaram, e então o Cauê. Dei um oi pra mãe e a irmã dele e fomos andar pelo clube procurando por um lugar calmo para colocar alguns assuntos em dia. Não deu muito certo, acabamos encontrando com o pai dele e o vizinho deles, que é um velho meio confuso.

O amigo do Cauê, o Brozio, chegou todo suado com um skate na mão. Nós voltamos pro palco e depois saímos, novamente tentando achar um lugar calmo. Acabamos encontrando com mais dois amigos do Cauê, e depois mais dois e mais um que eu já conhecia, o Matheus (eu tive a impressão de que eles estavam saindo de todo lugar). Acabamos sem lugar calmo e sem resolver os assuntos. 

A SKIS - nossa dupla - usa roupas pretas e maquiagem. Eu já estava com maquiagem, então fui fazer no Cauê em uma sala do clube com brinquedos para crianças. Ele detesta quando eu faço a maquiagem, até porque não é a coisa mais confortável do mundo, mas foi até engraçado, contando que teve uma parte que eu borrei tudo de maquiagem preta, ele disse "posso passar a mão?" e eu disse "claro que não!" enquanto passava a mão tentando limpar a cagada que eu tinha feito.

Eu saí correndo pra pegar papel e limpar aquilo tudo, e voltei correndo. Sim, eu tropecei, como é de se esperar, mas ninguém viu, então tudo bem. Nós terminamos a maquiagem, saímos de novo procurando por um lugar calmo e encontramos, perto das escadas onde, em um dia aí, eu torci o pé. Nós nos beijamos até ver um cara na sacada tirando fotos nossas. Ok, na verdade ele só estava fumando, mas foi o que a gente achou na hora.

Nesse meio tempo a gente achou um bolo com notas de 50 reais e eu fiquei meio "puta que pariu é muito dinheiro", mas o Cauê disse pra gente deixar na mesa do lado, dizendo que podia ser um teste de honestidade, então eu, muito triste, coloquei lá. 

Subimos no palco e eu estava meio nervosa mesmo depois de ter passado o som, e antes de começarmos a tocar eu fui até o Cauê e dei um beijo de boa sorte nele - o que ele achou fofo, como ele me contou depois. Então eu disse algumas palavras e o show começou.

Eu conseguia ver as pessoas, só que ao mesmo tempo eu não conseguia ver nada. Não sei se isso acontece sempre, mas foi algo parecido com o que aconteceu da primeira vez que eu fiz um show, há um ano atrás, com a Utopus. A diferença é que se eu olhasse para o lado eu ia poder ver o amor da minha vida vestido todo de preto, tocando violão e com o cabelo cobrindo a cara, do mesmo jeito que eu o vi da primeira vez, no mesmo palco, no mesmo lugar. O destino é muito, muito genial, você não acha?

Durante a performance eu ouvi palmas, via minha irmã gravando e tirando fotos - inclusive as do começo do post -, a Luana também fazia isso, e as pessoas olhavam ou conversavam em suas mesas. Uma criancinha fofa chegou perto do palco dançando no meio disso, e Luana disse que ele era meu "primeiro fã". O momento foi incrível, combinado com as luzes coloridas e o sentimento de estar em um palco, em pé, com uma garrafa que brilhava na luz negra, a folha com a lista de músicas que tocaríamos, mas principalmente um serzinho maravilhoso me dando dicas do que falar entre as músicas. 

Quando o show acabou eu pensei que as pessoas não tinham gostado muito, mas mudei de ideia quando recebi calorosos "parabéns" dos pais e irmã do Cauê, da banda que ia tocar depois de nós, meu pai, meus amigos - Luana me deu um abraço fofo - e minha irmã. Logo quando saímos do palco eles vieram para tirar fotos com a gente. Tiramos foto até não aguentarmos mais, e combinamos com a banda que faríamos um "feat" tocando Should I Stay Or Should I Go (já percebeu que essa música aparece aqui o tempo todo?). 

Fomos falar com o Danilo, o cara que arranja bandas pra tocar no clube, sobre termos comida grátis. Ele nos deu lanche e Coca-Cola, e meu pai disse pra comermos no restaurante, enquanto ele, os pais e irmã do Cauê, uma amiga em comum, Alice, Ian e Luana compartilhávamos a mesma mesma - meu Deus, em que pensamentos mais bizarros eu conseguiria pensar que algo desse tipo ia acontecer?

Nós comemos o lanche enquanto a pizza chegava. Foi provavelmente o melhor x-salada da minha vida. Cauê e Luana falaram sobre Naruto enquanto Alice e Ian viravam melhores amigos. Depois de comer, eu e ele andamos e subimos até o mesmo lugar do dia em que eu torci meu pé, e bem, a gente colocou os assuntos em dia.

Depois disso eu fui tirar a maquiagem do Cauê, e o Danilo chegou dizendo "não chora campeão, vai dar tudo certo" e sentou na mesa, depois falou sobre abrirmos show para um cara famoso que vai tocar no clube em janeiro. Acabamos fazendo mesmo o feat com Should I Stay. Não ficou muito bom, mas pelo menos foi legal e a gente teve a experiência de tocar com uma banda - aliás, uma banda com caras bem legais.

Conversamos com eles depois disso, e eles nos elogiaram pelo show. Fiquei sabendo de vários elogios sobre o nosso show, principalmente o de um professor de música que disse que minha música autoral era boa. 

No final eu fui embora. Acabamos indo para o centro com o Ian. Ele me pagou milk-shake de morango - era muito bom - e andamos por lá até ficarmos cansados.

Eu gosto dos finais de noite como essa, quando eu estou voltando pra casa de carro e tenho a companhia das estrelas e das memórias de um dia incrível. Às vezes você não tem noção do quanto as coisas são maravilhosas enquanto elas acontecem porque você está desnorteado e maravilhado demais; e às vezes a sua insegurança não permite você ter a noção de que é bom o suficiente pra fazer aquilo. Mas eu e Cauê éramos, e nós fizemos. E no fim de tudo eu só conseguia pensar no quanto eu tenho vontade de fazer aquilo pela minha vida toda. A emoção dos palcos, os instrumentos, o fato de eu não poder pisar nos cabos, as luzes, as pessoas, todo mundo ouvindo... É, parece que aquele sentimento de saber o que eu quero da vida realmente floresceu de novo que nem naquele dia, só que maior e melhor. E ah, com uma diferença.

Eu não quero fazer isso sozinha.

All the love,
Nadine W.