segunda-feira, dezembro 04, 2017

churrasquei ou churrascou


Sábado é dia de churrasco, certo?

Não. Na verdade, todo dia é um ótimo dia pra comer uma carne no sal grosso, linguiça toscana e pão de alho. Mas esse churrasco que eu fui foi em um sábado à noite mesmo, um churrasco de sábado, e eu acho que ele merecia um post.

O tal do churrasco foi na casa do Trigo, amigo do Cauê, que é o meu namorado. Eu acho que eu não tinha falado o nome dele aqui ainda - é que o último post tinha um quê de poético que eu até acabei esquecendo - mas para constar, o nome dele é Cauê Cavalheiro. E SIM, eu zoo o nome dele às vezes, é muito divertido. Mas, voltando ao assunto, eu cheguei de carro com meu pai na frente da casa, onde o Cauê e os outros amigos dele conversavam.

Meu pai, sendo o velhinho mais popular da cidade, reconheceu o pai do Trigo e eles ficaram conversando, enquanto eu ia pra rodinha dos garotos e observava-os conversando, do lado do Cauê o tempo todo. 

Quando a gente entrou não tinha mais comida, então a gente fez melhor: pegamos umas bebidas azuis, misturamos tudo e voltamos lá na frente, e tomamos dividindo o copo. Depois que acabou, a gente pegou de novo, dessa vez com gelo, e mais uma vez, e mais uma, e mais uma. Nem lembro quantas.

Nós sentamos na mesa perto da churrasqueira em certo momento. O Trigo estava colocando música na caixa de som, enquanto uns amigos bebiam. Eu e Cauê continuamos a beber. "Você tá bêbada?", ele perguntou. Eu disse que não.

Os outros amigos do grupo foram pra ponta da mesa jogar truco, então os sons de fundo que não contavam com a música era de gente gritando "TRUCO!", e bem, essas coisas que se gritam quando você joga truco (que eu não consigo lembrar quais são).

Trigo colocou Bon Jovi pra tocar. O Cauê adora Bon Jovi, então ele ficou bem feliz. Na hora de Livin' On A Prayer todo mundo cantou no topo dos pulmões, muito animados e bêbados e felizes. E bêbados, principalmente bêbados. O Cauê estava muito muito feliz naquela hora, e ver ele assim era ótimo.

Depois disso o Trigo colocou One Direction pra tocar. Todo mundo tem um passado sombrio, não é? O meu conta com muito, muito One Direction, então eu não hesitei em me levantar para dançar as dancinhas retardadas que eles faziam - e pasmem! Não fui a única que fez isso. O Trigo, o Matheus (outro amigo do Cauê) e uma menina aleatória que estava lá estavam acompanhando todas as músicas e eu juro, aquele momento foi uma das coisas mais legais que eu já vivi, ainda mais porque eu comecei a cantar You and I pro Cauê, e a cara dele era impagável. Eu dancei muito e naquela hora eu já estava muito bêbada.

Eu sentei na cadeira, tirei o moletom e olhei pro Cauê. "Eu tô muito bêbado", ele disse. "Eu também!" eu respondi, e a gente se beijou e ficou sorrindo um pro outro. E ah, tiramos umas fotos durante isso:

    
ps: nem parece que a gente tá bêbado né? não se enganem

Depois disso as coisas foram ficando confusas como em toda vez que eu bebo - aquela dor no ombro, tontura, pessoas falando mais devagar e toda essa porra - e o Cauê inventou de colocar azeite na caipiroska de maracujá que todo mundo estava bebendo. E o que fizemos? Sim, nós tomamos, e tinha gosto de capeta com demônio. Pior que vodka pura. Pior que dipirona líquida. Pior que porr... calma, quê?

Um carinha lá deu PT disso, e para você, caro ingênuo leitor, que não sabe o que significa isso... bem, era melhor você não saber, mas já que está aqui você aceitou os termos. PT equivale à Perda Total, que é quando... bem, você vomita de tanto beber e fica inconsciente. Basicamente isso. (nota: eu acho que já expliquei isso antes, mas você não vai voltar nos posts para ler, então...)

Depois os caras misturaram caipiroska com Soda e vinagre. E, bem, nós tomamos também, e tinha gosto de capeta com demônio. Pior que vodka pura. Pior que dipirona líq... ok, você entendeu.

Depois de tomar isso a gente já estava tão louco que andar era uma tarefa meio complicada, mas adivinha? Foi exatamente o que a gente decidiu fazer. Eu lembro que estava tocando Justin Bieber quando a gente foi pra frente da casa pra se pegar. Apesar de ser estranho, era divertido, e foi bom. Depois a gente deitou no chão e o Cauê falou algo sobre aliens, e à partir daí eu já estava muito alterada e quase incapacitada. Coisa de quase não conseguir ficar em pé. Aí quando a gente conseguiu eu disse que queria vomitar e fui pro banheiro.

"Você pode falar onde fica o banheiro?" o Cauê perguntou pra mulher aleatória que apareceu na porta da casa, quando a gente entrou. "Ela tá louca", ele disse algo do tipo.

Eu entrei no banheiro - "uau, que banheiro grande" - e fiquei sentada pensando em algo que não lembro agora. Meio que lavei o rosto tentando não borrar a maquiagem - não sei do que ela importava naquele momento - e fiquei me olhando no espelho e rindo, que nem aquelas cenas engraçadas de filmes.

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Eu não sei se eu alucinei ou se teve uma hora que o Cauê me chamou pra perguntar se estava tudo bem, mas eu respondi e saí do banheiro dizendo que estava melhor. MENTIRA!

Voltamos pra perto da churrasqueira e eu disse que queria sentar nas escadas perto da piscina. Pro Cauê não foi uma boa ideia - bêbados e piscinas? - mas ele me ajudou a sentar e disse que ia no banheiro. Ele olhou pro amigo dele, o Brozio. "Cuida da minha mulher, eu vou no banheiro", e lá se foi, me deixando do lado da piscina enquanto o Brozio nem me enxergava.

Teve uma hora que ele me perguntou alto: "Nadine, tá tudo bem?", e eu respondi "sim". Na minha cabeça eu estava gritando SOCORRO. Deitei do lado da piscina tonta pra caralho e fiquei molhando a mão.

Quando o Cauê voltou foi engraçado. "Ô porra, você cuidou direito dela hein, ela tá quase entrando na piscina!" e eu ri, e ele me arrastou pra longe da piscina e deitou do meu lado, então ficamos vendo o céu com nuvens e algumas estrelas, mas principalmente a lua.

Esse foi provavelmente o melhor momento da noite. Eu não falei, mas pensei: a mesma lua que eu estava olhando no dia que a gente se conheceu. A gente sempre compartilhou o mesmo céu. A gente se encontrou. E a gente tá aqui agora, e aquilo era lindo. 

O Matheus, carinha que estava cantando One Direction com a gente, tirou umas fotos nossas quando sentamos. Ele disse que éramos bonitos e algo parecido. Ele é muito legal até.

 
aqui parece que a gente tá bêbado

Eu não lembro de nada do que a gente conversou naquela hora porque eu ainda estava muito bêbada e ele também, mas depois disso meu pai chegou e eu tive que fingir que estava sóbria como eu sempre faço - eu não posso beber, eu tomo remédio. Depois disso nada importa, porque provavelmente já era domingo, e bem, domingo não é dia de fazer um churrasco de sábado.

All the love,
Nadine W.

quinta-feira, setembro 21, 2017

atualizações sobre a minha vida amorosa

 Imagem de flowers, rose, and red  Imagem de red, love, and quote

Eu sei, eu sei, fazem séculos que eu não postava nada por aqui, mas eu juro que tenho um ótimo motivo. Eu estou adiando esse post desde o dia 9 de junho de 2017, que coincidentemente cai em uma quinta-feira em que eu conheci o garoto que salvou aquela noite chata de festa junina. 

Mas bem, não foi só isso que ele salvou.

Esse post é provavelmente um dos mais importantes que eu vou escrever - isso justifica bastante os meus incontáveis rascunhos que tentavam descrever essa história -, porque é um post sobre o amor da minha vida. Sim, foda-se se você acha que não se encontra o amor da sua vida na minha idade - que é, diga-se de passagem, dezenove anos. Eu encontrei. Eu encontrei e essa foi provavelmente uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida. Então vamos lá. Respira, um, dois, e três.

...

Sabe quando você começa algo já sabendo no que aquilo vai dar? Ou, sabe quando você tem aquele sentimento de que era pra ser? Ou melhor, quando você sabe que aquilo vai acontecer, mas ao mesmo não faz ideia? Sabe quando o destino te prega uma peça tão grande e acaba te trazendo algo que era muito, mas muito melhor do que você imaginava? Foi mais ou menos isso.

As coisas começaram na quinta. Ele precisava encontrar a barraca de cachorro-quente, porque como eu disse, era uma festa junina, a única coisa que importava lá era comida. Ou talvez não. 

Eu peguei na mão dele, os amigos me olharam estranho, e nós corremos até lá. Conversamos sobre detestar fazer pedidos por sermos muito tímidos. Muito tímidos, é? Então explica como nós nos falamos a festa inteira como se nos conhecêssemos há séculos. Bom, simplesmente não tem explicação.

Ele olhou pra mim enquanto eu olhava pra lua, então olhei de volta. Eu sabia. Só não sabia que eu sabia. Ele sorriu, a gente roubou uma garrafa de refrigerante e fomos falar com o cara que estava tocando sertanejo que escondia uma garrafa de Catuaba atrás do equipamento.

A gente se beijou no sábado.

Calma, não foi fácil assim. Eu o convidei para uma audição que ia acontecer, eu ia tocar lá. Não o deixaram entrar, mas ele ficou olhando da janela mesmo assim. Eu toquei a música, os jurados aplaudiram, disseram que eu era boa. Eu saí da sala e a gente simplesmente se beijou. Ok, bem fácil.

Desde lá a gente já se comunicava por vias cibernéticas como se fôssemos amantes de longa data. Desde o começo a gente já sabia como ia acontecer. Desde o começo foram as declarações, e desde o começo a gente estava apaixonado. O que pode parecer estranho para você, caro leitor, e eu admito, era inédito. Mas o melhor de tudo é que era real.

"É possível me apaixonar por alguém que eu conheço há dois dias?", eu perguntei para o meu melhor amigo. Ele disse que não, mas eu sabia que sim. Apesar de me apaixonar pelo que achava dele, eu acabei descobrindo que a versão real dele era ainda melhor - e isso era incrível. 

Era possível eu saber disso desde o começo? Eu não sei. Mas o rumo que as coisas levaram me fizeram acreditar que realmente, o destino existe. Eu já tinha minhas suspeitas, eu confesso, e Deus, foi o melhor jeito de descobrir isso.

Começamos a nos encontrar para tocar. Formamos uma dupla. Ele tocava guitarra, eu cantava. Nos juntamos. Ele me deu uma guitarra antiga e cheia de história dele, eu cedi o apartamento de cima. A gente se beijou perto do playground. Um menino achou que ele era uma garota. 

Então eu fui na frente da escola dele. O amigo dele disse que eu era muito branca, eu olhei para os adolescentes, a gente andou de mãos dadas e viu memes no celular dele. Ele jogou um jogo que ele adora. Aliás, ele adora jogos.

Então nós fomos à festas. Eu conheci os amigos dele, a gente se pegou, e dançamos música lenta. Tiramos fotos - muitas fotos. 

As despedidas eram terríveis. E toda vez que ele estava perto de chegar, eu sentia o mesmo frio na barriga. O mesmo de quando eu estava sentada no banco lá na audição, enquanto assistia ele saindo do carro com o cabelo molhado enquanto fazia um frio do caralho.

Eu escrevi pra ele. Incontáveis coisas. Textos, poesia. Eu escrevi coisas na minha cabeça, eu martelei muitas vezes lá e pensei muito. Eu montei versos que combinavam com o sorriso dele. E eu tinha certeza de que aquele sorriso era o meu sorriso favorito no mundo. Ele me inspirava de um jeito que ninguém conseguiu fazer. Tudo nele era pura poesia, e eu adorava isso.

Eu não sei exatamente quando eu me apaixonei. Foi acontecendo. Talvez eu o amasse desde o primeiro dia, eu não tenho certeza. Talvez a gente tenha se conhecido em outra vida, talvez a gente tenha se amado lá. Aí não conseguiram apagar o amor quando renascemos. A linha vermelha amarrada nos nossos dedos foi encurtando até que nos esbarramos, até aquela hora em que eu reconheci o garoto como o guitarrista daquela banda que eu tinha ido ver em maio. Era ele, Nadine! O tempo todo!

O "eu" virou "nós" em uma extrema facilidade, isso me assusta às vezes. Eu nem sei dizer como tudo isso aconteceu. Desde o começo nós éramos tão errados... mas felizmente demos certo. É até desafiador tentar explicar isso porque é muito maior do que qualquer coisa que eu vivi. Eu já tive paixões, e já disse que amava algumas vezes, mas eu não fazia ideia do quão intenso aquilo poderia se tornar - intenso o suficiente para o "eu te amo" não ser suficiente.

Eu disse que o amava enquanto estava nos braços dele. Deitados na cama dele, no quarto dele, na casa dele. Nos braços dele. Eu dormi por uns cinco minutos, ele adorou aquilo. A gente foi mais longe, a gente continua indo, cada vez mais e mais e mais...

Ele me deixa sem fôlego. É ainda mais excitante saber que a parte física é tão intensa quanto o amor. Eu não preciso dar detalhes sobre isso, não é? Não preciso retratar o caminho que as mãos dele percorrem pelo meu corpo, nem de todos os arrepios na espinha, ou o jeito que ele me segura pelo pescoço, ou como ele me deixa facilmente sem ar, e me causa espasmos? Será que eu preciso dizer que ele tem lábios lindos que me beijam de um jeito que ninguém me beijou antes? Preciso falar sobre as marcas, as marcas visíveis e invisíveis, e o quanto não importa quanto nossos corpos estejam colados, nunca é suficiente? É uma pena mesmo dois corpos não ocuparem o mesmo espaço, porque se o fizessem... com certeza estaríamos unidos.

Tudo nele é tão bonito. Ele tem o melhor sorriso do mundo, é o tipo de sorriso que dá gosto em saber que é por minha causa. Seja por piada, ou porque fiquei brava, ou porque tropecei ou fiz algo atrapalhado que capturou a atenção dele. Eu gosto do cabelo dele, é grande e tem um cheiro bom. Ele tem um cheiro bom. Eu gosto das roupas que ele usa. Eu gosto dos abraços dele. Na verdade eu amo. Isso porque eu o amo e eu tenho certeza disso. Eu amo tudo nele.

Nós fomos no cinema. Foi o dia em que eu o pedi em namoro. Sim, eu o pedi em namoro. Minha mãe achou estranho, mas meus amigos gostaram da ideia. Ele aceitou. O filme não era ruim, mas eu não liguei muito pra ele. Eu estava ocupada.

E o que ninguém achava que aconteceria aconteceu, Nadine está namorando. Bem, parece que foi um caminho curto até aqui, mas não. Foram muitas conversas retardadas e gritos internos até chegarmos nesse ponto. Eu acredito que ainda tem muito mais por vir, e eu estou muito ansiosa por isso. 

Sabe quando você começa algo já sabendo no que aquilo vai dar? Ou, sabe quando você tem aquele sentimento de que era pra ser? Ou melhor, quando você sabe que aquilo vai acontecer, mas ao mesmo não faz ideia? Sabe quando o destino te prega uma peça tão grande e acaba te trazendo algo que era muito, mas muito melhor do que você imaginava? 

Foi mais ou menos isso.


All the love,
Nadine W.

sábado, maio 27, 2017

home, where i belong


i got no other place to go

Hoje eu saí com a minha melhor amiga de anos depois de muito tempo. O nome dela é Mirelly e ela mora em São Bernardo, então não podemos nos ver geralmente. Mas ela veio pra cá então decidimos fazer um piquenique.

Tudo começou quando eu estava andando na rua da minha casa, ouvindo Heartstrings da Leighton Meester nos meus fones do chinês super legais, quando os pais da amiga da minha irmã me encontraram e me deram uma carona de carro até o centro.

Quando encontrei com a Mirelly, o meu instinto natural foi aquele antigo de correr e abraçá-la e ela fez o mesmo. Foi um abraço depois de ano que me encheu de alegria de alguma forma. Era como reencontrar consigo mesma há uns anos atrás, vendo como se tudo fosse como era antigamente.

Nós fomos pro mercado e compramos suco natural de uva, mexericas, bolo e tortinhas e subimos o Convento (uma igreja que fica em um morro) - devo dizer que foi uma subida muito conturbada, muitas faltas de ar envolvidas.

O legal foi que tiramos nossos sapatos e colocamos os pés na grama e foi uma sensação realmente deliciosa. Estendemos a canga dela, com sóis e luas na estampa e comemos e conversamos sobre passado, presente e futuro. Foi uma das conversas mais legais que já tive, e fazia muito tempo que não conversava tanto - só com a minha mãe isso acontece.

Depois fomos na Pinacoteca da cidade e vimos uma exposição de fotos e quadros no primeiro andar. Lá era muito bonito e novo. Compramos cigarro - L.A. de cereja e menta, realmente delicioso (PS: eu tinha prometido pro meu pai que ia parar de fumar, mas meu interior estava implorando por isso).

Fomos fumar na praia e lá conversamos sobre outras dimensões, meus lados e algumas outras coisas filosóficas. A parte mais legal foi quando falamos sobre pertencer à algum lugar, e como geralmente nos sentíamos como se não pertencêssemos à lugar algum. Falamos sobre como nossa cidade é bonita, e eu concordei, mesmo sempre reclamando de lá e da falta do que fazer. Esse passeio me fez pensar que nós pertencemos ao que fazemos do lugar onde estamos, e não só o lugar. Nesse dia, essa cidade era o melhor lugar do mundo.

Falamos que às vezes nós pertencemos à nós mesmos, porque o ser humano é infinito em suas limitações. O ser humano é realmente algo incrível e maravilhoso, você já notou?

Colocamos uma cantora nórdica para tocar - Mirelly adora cultura nórdica -, a Aurora. Foi um momento muito grandioso quando eu estava fumando e ouvindo a música, olhando para o mar no frio do outono. Mirelly dançou com os pés na areia e eu observei no momento mágico que ele havia virado. 

A Aurora tem essa música chamada Runaway, o título do post é uma parte da letra. Pensei isso depois que já tinha voltado pra casa, que a nossa casa somos nós mesmos, e mesmo quando você não tem para onde ir nem ao que recorrer, você ainda tem o seu interior infinito, cheio de esperança, possibilidades e grandiosidade.

Deixando um pouco a filosofia de boteco de lado, à noite eu fui para o centro com a minha irmã e a amiga dela. Tirei umas fotos delas e encontrei a Ana Laura, o Luciano e mais alguns amigos da minha antiga escola, a Etec. Não foi nada muito longo, nós procuramos por álcool com o Hani e não encontramos, mas não tem problema.

O dia coincidentemente acabou do mesmo jeito que começou, indo de carona com os pais da amiga da Alice, até minha casa. Meus pés já estavam cansados e eu pude conversar com minha mãe sobre meu dia, que foi ótimo, e eu pude perceber que não há nada como nossa casa.

  
fotos do dia

All the love,
Nadine W.

sábado, abril 08, 2017

os treze porquês de nadine wegas

Imagem de 13 reasons why, hannah baker, and netflix

Você teria coragem de se matar?

Bem, essa não é a questão principal que ronda essa postagem. Pode parecer estranho eu estar postando sobre uma série, mas é que 13 Reasons Why teve tanta repercussão que eu deveria pelo menos falar alguma coisa sobre por aqui.

A série retrata os porquês da personagem Hannah Baker (foto acima) ter decidido cometer suicídio, sendo que cada pessoa que a fez mal é uma razão.

Eu ainda não terminei a série e sim, eu sei que deveria, mas estou adiando isso para que eu possa absorver melhor tudo o que está acontecendo sem começar a pensar tanto até meu cérebro explodir ou algo assim.

Eu não vim aqui para falar sobre a série em si, mas sim fazer uma coisa nova. Ao invés de todas as mensagens para ajudar as pessoas suicidas, todas as justificativas, e falar "não seja um porquê" e essa baboseira toda (que é muito importante, aliás), ao invés disso, eu irei listar os MEUS treze porquês.

Mas Nadine, você não se matou, pra que fazer essa lista? Bem, não ainda, meu caro leitor, mas não se preocupe, não são treze motivos pelos quais eu irei me matar, mas sim os motivos pelos quais eu ainda estou viva. E eu gostaria muito que você parasse para pensar nos seus, não importa quais. Eles são importantes, e precisam ser mencionados.

Bem, não quero me meter a psicóloga ou salvadora da pátria, então vamos logo ao que interessa. Ao vivo e em estéreo (ou não), os treze porquês de Nadine Wegas.

1. Minha família
Não vou falar apenas minha mãe porque seria mentira, mas minha mãe, meu pai e minhas duas irmãs (até o meu gato, pra falar a verdade) tiveram um papel importante demais na minha vida. Todos eles estavam lá quando ninguém mais estava. Eu quero dizer, pessoalmente e em cores. Eu pude correr para os braços da minha mãe, pude desabafar com a minha irmã, e recorrer à ajuda do meu pai. Até pude me divertir com minha irmã mais nova e esquecer os problemas do mundo. Sem contar nos carinhos que eu faço no meu gato e me deixa muito menos carente. Eles são importantes.

2. A escrita
Se eu morresse, quem iria terminar os meus futuros best-sellers? Quem iria escrever poesia no braço das pessoas? Quem iria publicar essa postagem? Eu acredito que se eu estou viva é parar escrever alguma coisa que vai ser importante para alguém. Mesmo que seja só para mim. Escrever me mantém viva, e faz de mim mais que uma sobrevivente. Faz de mim um ser humano.

3. A música
Ainda há muitas bandas para descobrir. Muitas músicas da minha vida e muitas playlists para serem feitas. E por isso eu ainda estou viva. Escutar as bandas que eu já conheço e ouvir álbuns novos são parte da minha rotina, e cada vez que eu escuto algo inspirador, me dá vontade de compor algo, e isso é um ciclo que dura muito. Eu ouço música que me inspira e então eu crio minhas próprias músicas. As duas ações são coisas que me mantém viva, e eu sou muito grata pelas bandas e artistas.

4. My Chemical Romance
Talvez você ache ridículo eu estar listando como motivos pelos quais eu não morri e um deles ser uma banda, ainda mais, uma banda morta, mas eu vou te dizer o porquê: My Chemical Romance foi criada para salvar vidas. E eles salvaram a minha. Tudo sobre eles me faz querer continuar viva e ser plena, tudo, até o jeito que eles se vestem, tudo neles me deixa feliz de um jeito triste, porque eles acabaram. E nisso entramos em Gerard Way, o ex-vocalista que me inspira mais que tudo no mundo, com a sua carreira solo e tudo mais. TUDO que provém do My Chemical Romance teve um papel para me salvar, e me fez querer ser uma artista e salvar outras pessoas também.

5. Meus amigos
Eu não poderia deixa de listar os Losers, que fazem meu dia melhor sempre que estou com eles. Certamente eu não posso mais estar com todos eles agora, mas sempre que podemos estamos juntos, sendo idiotas e estranhos como sei que somos. Um dia com eles nunca será um dia perdido, estaremos sempre conectados de alguma forma e isso me deixa feliz. Minhas vontades obscuras desaparecem quando eles estão lá.

6. O meu amor que ainda não veio
Sim, o carinha que vai ganhar meu coração tem um papel nisso tudo. Como eu iria conhecê-lo se eu estiver morta? É um motivo que chamo mais de curiosidade para saber se eu vou mesmo um dia ter um namorado(a) e saber que ele vai me deixar feliz de um jeito tão pleno que realmente vai merecer estar nessa lista.

7. Os lugares que ainda não visitei
Sei que a maioria das pessoas tem o desejo de viajar o mundo todo, mas eu não. Tem alguns lugares que eu quero visitar antes de morrer. Los Angeles, San Francisco, Nova York, partes da Inglaterra, França e mais alguns lugares aqui no Brasil como Gramado que me deixam curiosa para saber se vou ter essa oportunidade.

8. O meu futuro como artista
Não quero morrer antes de saber que lancei um álbum, que eu fui ouvida por várias pessoas, que várias pessoas se inspiraram em mim, ou até que eu recebi hate de alguém. Eu quero ser uma artista completa e dar aos meus fãs a certeza de que não vou morrer por nada nem por ninguém, eu quero ser uma artista boa e que sabe o que quer. Quero dar entrevistas, fazer ensaios, fazer shows de graça e pagos, ter uma audiência, ter uma banda temporária, fazer um tour e tantas outras coisas que me deixariam extremamente feliz.

9. O meu Monólogo Interior
Esse é um motivo não tão óbvio. O meu Monólogo Interior vive me dizendo o quanto eu seria uma covarde se eu me matasse, então ele se tornou um motivo aqui. Parabéns, MI, você me fez continuar vivendo por mais um dia! Talvez um dia pare de funcionar, mas por enquanto, aqui está.

10. O meu melhor amigo
Em especial, separado de todos os meus amigos, está o meu melhor amigo Ian. Seria muito chato deixá-lo na Terra sem a minha presença, até porque eu acredito que ele precise muito dela (por mais que não pareça). Ele é realmente muito importante para mim então é um motivo pelo qual eu ainda estou viva. Ele faz muita diferença na minha vida, e não quero perdê-lo nunca.

11. As pessoas que eu ainda vou conhecer
Se eu não estiver viva, como vou pode conhecer Gerard Way? Eu sei, talvez seja um pouco estranho pra você, mas eu ainda tenho inspirações e preciso muito conhecê-las. Os caras da 5SOS por exemplo, ou até os meus amigos virtuais, e as pessoas que eu ainda não conheço, mas vou conhecer e que vão ser realmente importantes na minha vida.

12. Os momentos em que vou me sentir infinita
Eu gosto muito de me sentir infinita. Quando eu olho pro céu, quando eu vivo um dia maravilhoso e cheio de coisas legais, quando eu simplesmente aproveita o que é simples e sorrio para a vida. Pode ser estranho mas eu tenho vários momentos assim. E eu quero muito aproveitá-los pelo resto da minha vida, não importa o quanto ela dure.

13. A coragem que me falta
Se eu ignorasse todos esses motivos ainda teria um que me impediria completamente de me matar. A coragem que eu não tenho para fazer isso. O que as pessoas pensariam? Minha mãe iria sofrer? Como todo mundo reagiria? Como seria depois da morte? Eu ia simplesmente parar de pensar e isso me ocorre muito, como será que é quando a gente para de pensar para sempre? Eu não quero isso, eu realmente não quero. Às vezes sofrer é só um reflexo da vida. Às vezes morrer não é a melhor saída.

Bom, eu disse no começo desse post que "você teria coragem de se matar?" não era a questão principal do post, então termino o post lhe dizendo qual realmente é:

Você teria coragem de viver?

Você tem motivos para viver. Talvez não treze, não se preocupe em ter treze porquês (até porque eu demorei muito até perceber que eu tinha treze motivos). Lembre-se deles quando você achar que não tem saída. Você tem motivos para viver. Você tem.

All the love,
Nadine W.

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

não me suborne com um rolê emo

Imagem de aesthetic, emo, and grunge

É Carnaval! Vamos fingir que eu estou animada.

Eu nunca gostei muito de Carnaval, até porque ele não combina nem um pouco comigo. Um mundaréu de gente ouvindo um samba alto demais, seguindo um carro alegórico e várias pessoas jogando espuminha pro alto, além de todo mundo estar suado por ser verão. Se eu já não gosto de verão, imagina o Carnaval?

Eu saí mesmo assim. Segui pela orla lotada enquanto um desfile de bloco estava rolando. Desisti depois de cinco minutos, fui pro bar com o meu pai. O bar sempre foi o meu lugar (mesmo que eu não beba mais).

Tinha uma banda tocando, o bar do Portuga era conhecido por reunir velhos roqueiros usando preto e batendo cabeça, e meu pai se encaixa bem nessa descrição, eu diria. Então fiquei lá, ouvindo Mamonas Assassinas enquanto tomava uma Pepsi e meu pai uma cerveja.

Encontrei o Marcos, que é um amigo meu que curte Avril Lavigne (vou falar disso mais tarde). Ele costuma dizer que eu sou a Avril Lavigne de Itanhaém, e isso é muito legal porque ela realmente é uma inspiração para mim, que sou devota ao pop punk.

Fui lá onde o Marcos estava, e eu confesso, foi por causa de um garoto bonitinho de cabelo longo que estava com ele. Minha amiga Diana e a namorada dela - que estava vestida de unicórnio - estavam lá do lado do garoto, mas aí eles saíram para comprar coxinha. Aí eu conheci vários amigos do Marcos, incluindo o Hugo, e o Léo, que eu já conhecia de outros carnavais (há, gostaram do trocadilho?).

Então começou um bloco dos roqueiros no bar chamado "Bloco do Capiroto". Com certeza era uma menção às pessoas que dizem que rock é coisa do capeta, e para falar a verdade, eu adorei. 

Atravessamos umas ruas enquanto as baterias tocavam, gritando "CAPIROTO!" várias vezes. Eu e o Marcos fomos mais ousados e gritamos "BOLSOMITO" 'só de zoas' porque era engraçado. O Hugo também estava lá nessa parte.

Eu falei com um dos meus "crushs" antigos - ainda não lembro se ele era o 2 ou 3 -, o Brozio, que tem uma banda e toca guitarra (Nadine sempre tem quedas por guitarristas). Na verdade a conversa só foi um "você é o Brozio? Você posta coisas legais no Facebook" e ele se gabando disso para o amigo dele. Ele é fofo, eu diria.

Em um dado momento em que conversávamos eu olhei para uma casa bem grande e com paredes de vidro e perguntei para todos "vamos invadir essa casa?". Então Marcos se virou para mim e disse "isso é uma faculdade!". Eu dei de ombros e retruquei: "vamos ou não?". E lá fomos nós invadir uma faculdade.

O mais engraçado é que aconteceu - ok que eu fiquei duas horas tentando subir no muro, mas com a ajuda dos meus amigos, tudo foi possível. Depois de entrarmos, apostamos corrida - eu fiquei por último - e tiramos fotos que poderiam ser capa de um álbum indie. Talvez eu atualize esse post com as fotos, já que elas estão com o Hugo. 

Falamos sobre bandas e eu descobri que o Marcos era bem mais emo do que eu imaginava, ele tinha uma playlist featuring Jimmy Eat World e Panic! at the Disco. Acabei descobrindo também que o Hugo também era emo - ele gostava de Simple Plan, Falling In Reverse e Bring Me The Horizon.

Nós cantamos Simple Plan ainda na faculdade e demos em cima do Léo, que estava vestido de garota. Depois da faculdade estar entediante - Marcos brincou que tinha um segurança nos vigiando - nós descemos de lá e voltamos para o bar do Portuga.

Nossa próxima parada foi o Convento, que é uma igreja que fica a alguns metros de altitude. Eu quase morri subindo a ladeira - realmente, foi uma falta de ar tão horrível que eu me questionei se era possível adquirir asma na idade adulta (não questione, eu já tenho 19 anos, sou adulta) - mas consegui chegar lá porque Marcos me deu a mão e ficou mais fácil subir.

Quando chegamos lá fizemos a coisa mais emo possível - Marcos colocou Avril Lavigne pra tocar. Depois ouvimos um som de um bar qualquer, uma mulher estava tocando Scorpions. Falamos de britpop porque o Hugo estava cantando Oasis, e mais emo.

No caminho de volta, Hugo falou sobre poesia e café, e eu acabei descobrindo que ele gosta muito de café com leite, que nem eu. Geralmente as pessoas preferem café puro, e eu disse para ele que não gosto tanto porque me deixa elétrica, e ele disse que ele também.

Meu pai me ligou para irmos embora e lá fui eu com meus amigos. Passamos pela ladeira e uns amigos do Hugo chamaram ele de emo e eu não consegui pensar em nada mais que aquele era o rolê mais emo de todos. Seguimos para o bar, várias pessoas que eu não conhecia, e então encontrei com meu pai e minha irmã, e então fomos embora.

Hugo disse que é mais legal imaginar coisas fantasiosas do que coisas que podem realmente acontecer. Quando ele disse que seria legal voar para não ter que descer a ladeira do convento, ele disse que ter o poder era mais legal do que usar uma mochila turbinada. E eu disse que era legal imaginar você recebendo uma carta de Hogwarts, mas só porque era uma coisa que nunca iria acontecer. Eu achei um pensamento realmente interessante.

Marcos disse uma coisa legal e importante: não é bom comparar rolês. Cada saída é especial e diferente, e quando você está com pessoas legais, tudo é mais divertido. Você não precisa de muito - eu não gastei nem um centavo - e nem de bebida ou cigarro ou drogas. Hugo falou também que quando você está triste é mais difícil se divertir. Às vezes é mesmo, mas se sua companhia for boa talvez eles consigam te pôr pra cima, e bons amigos sempre fazem isso. Discutimos isso enquanto descíamos o convento.

Eu ainda não tinha notado no quanto nós pessoas precisamos de pessoas. Eu gostaria de dizer que comigo é diferente. Na verdade, nesses tempos eu tenho me sentido tão mas tão sozinha, e isso me deixa muito pra baixo. Mas às vezes você encontra pessoas com camiseta dos Beatles ou que gostam de Avril Lavigne para te deixar feliz, mesmo que por acaso, mesmo que por ironia do destino.

Quer saber, destino? Eu gosto muito de você, e tudo aquilo que você já me trouxe.

(ps: o título é um trocadilho com uma música do Panic!, Don't Threaten Me With a Good Time)

All the love,
Nadine W.

sábado, dezembro 31, 2016

criaturas noturnas

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No dia 30 eu fui para o centro. Não é novidade, eu fui na quinta também, mas eu não lembro de nada da quinta-feira. Não porque eu estava bêbada, só porque eu não lembro mesmo. O que importa foi na sexta mesmo.

Nós nos encontramos. Calma, você não sabe quem somos nós? No caso: eu, Luana, Lotto, Henrique (namorado do Lotto) e o Fatarelli. Nós fomos comprar bebida no mercado e depois para a praia.

Eu não bebi porque eu não posso beber, também porque eu não queria. O Lotto e o Henrique brigaram em um certo momento por algo bobo, e eles me fazem pensar muito em relacionamentos. Primeiro, que é muito estranho. Segundo, que é muito fofo. A Luana colocou músicas para tocar e eu deitei na grama e tentei fazer o desafio da garrafa muitas vezes - e consegui fazer quatro vezes.

Eu fumei uns cigarros, e quero dizer que cada vez mais eu sinto vontade de fumar. Não que seja um vício, não que eu tenha pesquisado no Google como saber se eu tenho câncer no pulmão ou algo assim, eu só senti falta de cigarros e daquela tonturinha básica.

Nós fomos para o ponto porque a Luana ia embora e acabamos encontrando o Ian, que estava indo para casa, mas ia voltar. Aí a Luana foi embora e Lotto e Henrique foram com a Giovana para o Subway, então eu e Fatarelli fomos para o ponto de encontro jovem-e-cool, a ladeira, e nós vimos um sorvete gigante em um restaurante.

"A gente precisa tirar foto com ele!" o Fatarelli disse. "Que sorvetão da porra!"

"Acho que vou chamar ele pra sair. Será que ele é gay? Espero que seja bi, aí fazemos um menage." eu disse. Aí a gente tirou mesmo foto. Segue em anexo.


Aí fomos mesmo pra ladeira e sentamos no queijo, que é um círculo que as pessoas costumam ficar. A Giovana chegou com Lotto e o Henrique, e eu e ela ficamos conversando. O Fatarelli pediu para ler o meu caderninho que sempre levo comigo, e ele abriu em uma página que estava escrito "write about us." e ele ficou feliz, por causa da referência à As Vantagens de ser Invísivel. Depois conversamos sobre destino e eu comprei mais cigarros.

O Cássio, um carinha do rolê, que provavelmente estava bêbado, disse que meu cabelo era o mais legal do rolê, e que eu era muito cool. Depois ele disse que todos lá éramos uncool e eu concordei. Acho que nele estava muito bêbado, mas ele é legal e descolado.

O Ian chegou e ele foi com a Isadora comprar bebida, e eu fiquei sentada nas escadas e acabei cumprimentando o meu "paquera", Victor Dias. 

"Oi menta!" eu o cumprimentei, fazendo a referência ao cigarro que ele gosta, Black de menta. Ele perguntou pra mim o porquê sorrindo e eu expliquei, aí ele assentiu e explicou para o amigo dele enquanto eu me afastava.

Comecei a escrever algumas baboseiras idiotas no meu caderninho e Victor Dias chegou junto de um amigo antigo meu, o Ricardo. Eu o cumprimentei, e o Victor Dias disse:

"Você está escrevendo no seu diário?" e eu fiz cara de brava, dizendo: "Não é um diário, é um caderno de anotações. Ele disse: "Ah, por um momento até pensei que estava escrevendo em um Death Note" ou algo assim, e eu ri. Conversei um pouco com o Ricardo e depois eles se foram, e eu fiquei com um sorrisinho idiota na cara. O que foi? Victor Dias é tão adorável. Só não conta isso pra ele.

O Ian chegou e eu falei pra ele que Victor Dias tinha sentado do meu lado de livre e espontânea vontade. Aí a Isadora disse que meu penteado - um coquinho prendendo a franja - era muito legal e que ela tinha adorado, e o Ian disse que era ridículo. Eu não liguei muito, o Ian é muito chato. 

Não lembro muito bem do que aconteceu depois, só sei que eu tive que ir embora, e o Ian e a Isadora me levaram até onde meu pai estava. Isadora disse no caminho que eu era muito autêntica, e eu fiquei muito feliz com isso, porque ela é uma pessoa realmente muito legal, e vindo dela é um puta elogio.

Em algum momento na orla eu escrevi um poema muito legal e fiquei cantando ele deitada na grama. A noite estava tão bonita, eu lembro. Tinham poucas estrelas no céu e o mar estava ali do lado, e eu não precisava de mais nada.

Meu pai e eu fumamos um Black com o amigo dele e eu comi um dogão que demorou muito pra ficar pronto, enquanto meu pai falava com o amigo dele sobre as baladas que eles iam em São Paulo quando eram jovens. Juro que eu não entendi nada.

Quando fomos embora pegamos a pista de carro e eu coloquei o braço pra fora, fazendo ondinhas enquanto meu pai acelerava mais. Eu adoro velocidade.

Foi nesse momento que eu lembrei de tudo que aconteceu nesse dia e eu me senti infinita. Infinita porque o meu dia não foi nada caro, planejado ou um em que eu criei uma expectativa gigante para algo acontecer. Ele simplesmente aconteceu, e foi tão bom que eu não consigo descrever o quanto, porque vocês provavelmente não entenderiam o quanto a simplicidade me faz feliz.

Eu gosto de dias assim. Em que eu não preciso me esforçar pra ser feliz. Em que eu não preciso esboçar um sorriso porque ele vem totalmente involuntário, de felicidade porque o garoto que você acha bonito sentou do teu lado, ou porque o seu amigo disse que seu cabelo é macio enquanto ele mexia nele, ou até quando suas pernas ficam bambas porque você deu uma tragada muito forte. Até agora eu não falei que já estamos em 2017, mas eu quero que 2017 seja como o dia 30 de dezembro de 2016 foi. Não foi planejado, foi espontâneo. Eu quero um ano mais espontâneo, cheio de coisas pelas quais eu não estava esperando, e me acertaram em cheio, pra me deixar com cara de boba e suspirando involuntariamente, criando nostalgia para algo que aconteceu no dia.

Feliz 2017, qualquer um que leia isso aqui. Eu espero que hoje seja melhor do que ontem.

All the love,
Nadine W.

terça-feira, dezembro 27, 2016

got a secret, can you keep it?

Imagem de quote, neon, and light

Um dia depois do Natal (mais especificamente, ontem), eu e meus amigos, os Losers, fomos para o centro dessa cidade idiota porque nós íamos participar de um Amigo Secreto. Sabe, aquela brincadeira que você sorteia uma pessoa e tem que dar um presente? Isso mesmo. A diferença é que essa era uma versão mais humilde - e engraçada também - em que os presentes deveriam ser baratos, para ser mais específica, de cinco a quinze reais. A ideia era ótima, e o resultado foi melhor ainda.

Por uma ironia do destino - aquele cara que só me faz de idiota - o meu amigo secreto era o Gabriel, que eu esporadicamente vou falar por aqui, mas chamando de G, como eu me acostumei a fazer na minha cabeça. Eu comprei um caderninho e pedi ajuda da minha mãe para encapar e colocar uma fita vermelha para ficar bonitinha. Coloquei em um envelope decorado e para terminar, comprei um maço de L.A. de cereja, um cigarro que todos os meus amigos que fumam gostam, mas quando eu comprei eu nem sabia se ele gostava mesmo, mas eu comprei mesmo assim, porque eu queria escrever uma palavra em cada cigarro, e até que ficou bonito, apesar de ser meio clichê. Eu também tinha escrito um poema pra ele, mas tinha decidido não entregar por causa de algumas coisas que o Ian, meu melhor amigo, tinha me contado.

Nós fomos para a praia e sentamos na grama, cada um com seu presente, todos conversando, e a Julia tinha trazido um violão, então eu toquei algumas músicas, inclusive uma do My Chemical Romance. Pra falar a verdade, eu detesto tocar violão em rodinhas de pessoas, porque eu não consigo lembrar das músicas que eu sei tocar, tirando o fato de que eu tenho uma puta vergonha de errar, o que acontece muito. Mas eu toquei mesmo assim.

A Julia foi a primeira a falar do seu amigo secreto. Ela fez um pequeno discurso fofinho, coisa que eu deveria ter feito também, porque na minha vez eu não fazia ideia do que falar, mas de qualquer maneira, o amigo secreto da Julia era a Ana. O da Ana era o Lotto, o do Lotto era o Ian, o do Ian era a Luana, e o da Luana era o Rosário. O do Rosário era eu, e ele me deu um cavalo de estante muito fofinho que eu batizei de Roger. Então lá fui eu falar do meu amigo secreto.

"Meu amigo secreto... é... secreto." e depois de muita enrolação sem saber o que dizer, a Julia disse: "Seu amigo secreto você beijaria de olhos fechados!" e eu dei uma risada nervosa e não sei o que deu em mim que eu repeti o que ela disse e acrescentei "...e beijaria de olhos abertos também, mas enfim." EU REALMENTE NÃO FAÇO IDEIA DO QUE EU ESTAVA PENSANDO NAQUELA HORA?????????? Oficialmente me arrependi cinco segundos depois.

Aí eu entreguei o meu presente pra ele e ele ficou meio "sério?" com um sorriso fofinho e cara de surpreso que eu realmente não esperava. Ele abriu o envelope depois de ler e leu o que estava dentro do caderninho e pareceu feliz. Aí ele abriu o maço e eu expliquei o que estava escrito e que tinha uma palavra para cada cigarro. Aí ele olhou para algumas palavras escritas e me deu um cigarro em que estava escrito "ART", olhou para mim e disse:

"Because you're art."

Eu não sei que cara eu fiz naquela hora, provavelmente uma bem estranha de surpresa, porque eu realmente não estava esperando isso. E esperava menos ainda que ele me abraçasse e me beijasse logo em seguida, depois ouvindo a Julia dizer "isso aí que eu vi foi um beijo?". Para mim ele estava com outra pessoa, então foi meio "que".

Eu fumei o cigarro e "passei fumaça" para o G - ainda não sei como é o nome disso. O Rosário tinha dito que ia me dar uma camisinha porque eu sou a virjona do grupo, e G disse: "Rosário, você deveria ter dado a camisinha para a Nadine." Eu nem preciso dizer a minha reação.

Num ato de coragem momentâneo, eu disse para G que o presente não acabava ali. Eu pretendia postar o poema no Medium, rede social que tínhamos em comum. Eu não ligava mais, só queria que ele lesse. Na verdade eu estava com medo dele acabar achando que eu estou apaixonada por ele, coisa que eu não faço ideia se sim ou não. Mas mesmo assim, eu não queria manter o poema em segredo. Era melhor dizer logo.

Nós fomos para as lojas Americanas para ficar no ar condicionado, porque estava fazendo um calor do CARALHO. Quer dizer, eu não sei se caralhos são quentes, é só a expressão mesmo. Nós vimos CDs e livros e cantamos uma música sertaneja. Depois saímos para procurar pessoas e no final nós fomos para a praça ficar com o Lotto e o namorado dele.

Compramos água - God bless the água - e ficamos conversando. O Ian foi para a orla e G foi embora, depois eu e Luana fomos para a orla também e eu acabei encontrando meu pai, em plena segunda-feira, com seus amigos em um quiosque que ele adora.

Continuei andando com a Luana e falando sobre esquecer das coisas e fetiche por batata frita e bibliotecas, e no final eu comi batata frita. O céu estava bonito até escurecer, o dia foi bonito apesar de quente. Eu fiquei com meu pai, depois fui embora.

Era meio impossível não ficar triste ouvindo End of Life, do Death Spells. Eu olhava pela janela do ônibus, vendo as pessoas. Todas tão cheias de segredos.

Quando eu cheguei em casa, postei o poema (https://medium.com/@theindiepoetry/a-poem-about-you-f35082311094#.z7rjwqjfp) e disse por mensagem para ele. Ele respondeu o poema com um texto no Medium também, e eu adorei. Então desde então eu não faço ideia do que nós somos. Mas, quer saber? Eu não ligo. Ninguém precisa saber.

Não esconda seus poemas, por favor. Arte é para ser vista, seja você com um vestido novo, um quadro da Lua, uma mixagem macabra, ou um poema sobre uma pessoa que você gosta muito e que merece algo escrito por você. Escreva se você acha que as pessoas merecem. Escreva se as pessoas se interessam pelo que você escreve. Ainda bem que eu encontrei alguém que se interesse pelo que eu escrevo, porque eu precisava mesmo de alguém assim. Espero que você encontre alguém também, esteja onde estiver, com quem estiver, como estiver.

All the love,
Nadine W.